Zaire, 1974. Muhammad Ali, que perdera o título mundial dos pesos pesados por se recusar a lutar no Vietinã, desafia o campeão George Foreman. É a autonomia negra versus o establishment branco. Um dos relatos mais notáveis já escritos sobre eventos esportivos, A luta é também um retrato magistral das tensões políticas e ideológicas dos anos 70. Mas é pela força da palavra que este livro faz o coração acelerar: posto na pele do boxeador, o leitor pensa e sente como ele. Sente, por exemplo, que antes de entrar no ringue precisa vencer o inimigo interno: seu próprio medo. Norman Mailer, Prêmio Pulitzer em 69 e 80, consegue a proeza de nos fazer acompanhar a maior luta de boxe do século como se nenhum de nós conhecesse o resultado. A luta deu origem ao filme Quando éramos reis, que traz depoimentos de Norman Mailer e Spike Lee, entre outros, e que em 1996 ganhou o Oscar de melhor documentário. Norman Mailer, autor de uma extensa obra que o celebrizou como uma inteligência contestadora e libertária, fundou em 1955 a revista Village Voice. De 52 a 63 foi editor de Dissent. Em 69 foi preso por participar de manifestações contra a Guerra do Vietnã.
Opinião do leitor
É clara a narrativa desenvolta de Norman Mailer. Mas o papel de protagonista que o autor se dá cansa um tanto a leitura. O livro, porém, vale à pena principalmente pelas 33 páginas em que Mailer descreve a luta. Aí, sim, a leitura vai fácil e a descrição é riquíssima!