Companhia das Letras
STÁLIN
Simon Sebag Montefiore



PRÓLOGO

O JANTAR FESTIVO - 8 DE NOVEMBRO DE 1932

Por volta das dezenove horas de 8 de novembro de 1932, Nádia Allilúieva Stálin, a esposa de 31 anos, rosto oval e olhos castanhos do secretário-geral do Partido, vestia-se para a ruidosa festa anual que celebraria o 15o. aniversário da Revolução. Puritana, diligente mas frágil, Nádia orgulhava-se de sua "modéstia bolchevique", usando os vestidos mais sem graça e sem forma, envolvida em xales simples, com blusas de colarinho quadrado e sem maquiagem. Mas, naquela noite, fazia um esforço especial. No apartamento sombrio dos Stálin, na construção do século XVII de dois andares do Palácio Potechny, que significa "palácio do divertimento", pois abrigara outrora os atores czaristas e um teatro, ela rodopiava diante de sua irmã Ana, com um vestido preto longo e inusitadamente moderno, com rosas vermelhas bordadas, importado de Berlim. Daquela vez, ela concordara em fazer um penteado, em vez de usar seu coque costumeiro. Descontraída, colocou uma rosa escarlate nos cabelos negros.
Prestigiada por todos os magnatas bolcheviques, tais como o premiê Mólotov e sua esposa, a esbelta, inteligente e sedutora Polina, que era a melhor amiga de Nádia, a festa era promovida anualmente pelo comissário da Defesa Vorochílov, que morava no longo e estreito prédio da Guarda Montada, a cinco passos do Potiéchni. No mundo minúsculo e íntimo da elite bolchevique, aquelas noitadas simples e alegres acabavam com os potentados e suas mulheres dançando gigas cossacas e cantando lamentos georgianos. Mas, naquela noite, a festa não acabou do modo usual.
Na mesma hora, a poucas centenas de metros dali, perto do mausoléu de Lênin e da Praça Vermelha, em seu escritório do segundo andar do Palácio Amarelo, uma construção triangular do século XVIII, Ióssif Stálin, o secretário-geral do Partido Bolchevique e o Vojd - líder - da União Soviética, então com 53 anos, 22 a mais do que Nádia e pai de seus dois filhos, encontrava-se com seu agente da polícia secreta favorito. Guenrikh Iagoda, vice-presidente da GPU, um filho de joalheiro judeu com cara de doninha, originário de Nijny Nóvgorod, com um "bigode hitlerista" e um gosto por orquídeas, pornografia alemã e amizades literárias, informava Stálin de novos complôs contra ele dentro do partido e mais turbulência no campo.
Stálin, assessorado por Mólotov, de 42 anos, e o responsável pela economia, Valerian Kúibichev, que parecia um poeta louco, com cabelos desgrenhados, um entusiasmo por bebidas, mulheres e, apropriadamente, escrever poesia, ordenou a prisão dos que se opunham a ele. A tensão daqueles meses crescia à medida que Stálin temia perder a Ucrânia, que, em certas partes, caíra numa distopia de fome e desordem. Quando Iagoda saiu, cinco minutos depois das sete da noite, os outros ficaram conversando sobre a guerra para "dobrar a espinha" do campesinato, qualquer que fosse o custo para as milhões de vítimas da maior epidemia de fome da história provocada pelo homem. Eles estavam decididos a usar os grãos para financiar o gigantesco programa de industrialização da Rússia. Mas, naquela noite, a tragédia ocorreria mais perto de casa: Stálin iria enfrentar a crise pessoal mais profunda e misteriosa de sua carreira. Ele a relembraria sem cessar pelo resto de seus dias.
Cinco minutos depois das oito, acompanhado pelo grupo, Stálin desceu as escadas na direção da festa, caminhando pelas vielas e praças cheias de neve daquela fortaleza medieval de muros vermelhos, vestido com a túnica do partido, velhas calças largas, botas de couro macio, velho sobretudo do Exército e seu chapka (gorro) de pele de lobo com orelheiras. Seu braço esquerdo era levemente menor do que o direito - mas a diferença era muito menos perceptível do que se tornou na velhice - e ele costumava fumar um cigarro ou cachimbo. A cabeça e os cabelos grossos e curtos, ainda pretos, mas já com as primeiras manchas grisalhas, irradiavam a força graciosa dos homens das montanhas do Cáucaso; seus olhos felinos, quase orientais, eram "cor de mel", mas soltavam chispas lupinas amarelas quando ele estava irado. As crianças achavam seu bigode espinhento e seu cheiro de tabaco acre, mas, como Mólotov e suas admiradoras femininas lembravam, Stálin ainda era atraente para as mulheres, com quem flertava de modo tímido e desajeitado.
Essa figura atarracada e baixa, de 1,68 metro de altura, que caminhava pesadamente, mas com rapidez, com as pontas dos pés voltadas para dentro (modo de andar imitado meticulosamente pelos atores do Bolchoi quando interpretavam czares), conversando de forma calma com Mólotov em seu sotaque forte de georgiano, era protegida apenas por dois guarda-costas. Os poderosos andavam por Moscou quase sem segurança. Até o suspeitoso Stálin, que já era odiado no campo, ia a pé de seu escritório para casa com apenas um guarda-costas. Uma noite de tempestade de neve, Mólotov e Stálin, no caminho para casa, atravessavam "sem guarda-costas" a praça Manege quando foram abordados por um mendigo. Stálin deu-lhe dez rublos, e o vagabundo, desapontado, gritou: "Seu burguês desgraçado!".
"Quem pode entender nosso povo?", comentou Stálin. Apesar do assassinato de autoridades soviéticas (inclusive uma tentativa de matar Lênin, em 1918), as coisas continuaram muito relaxadas até o assassinato do embaixador soviético na Polônia, em junho de 1927, quando houve um leve aperto na segurança. Em 1930, o Politburo aprovou um decreto "para proibir o camarada Stálin de andar a pé pela cidade". No entanto, ele continuou com suas caminhadas por mais alguns anos. Essa era uma idade de ouro que, em poucas horas, acabaria em morte, senão assassinato.
Stálin já era famoso por sua inescrutabilidade de esfinge e modéstia fleumática, representadas pelo cachimbo que fumava de modo ostentoso, como um ancião camponês. Longe de ser a mediocridade burocrática insossa desdenhada por Trotski, o verdadeiro Stálin era uma pessoa melodramática, enérgica e orgulhosa, excepcional em tudo.
Sob a calma lúgubre dessas águas insondáveis havia redemoinhos mortais de ambição, ódio e infelicidade. Capaz tanto de se comportar com autocontrole como de ter rompantes imprudentes, ele parecia fechado numa armadura fria de aço, mas suas antenas eram extremamente sensíveis, e seu gênio impetuoso de georgiano era tão incontrolável que quase arruinara sua carreira ao se lançar contra a mulher de Lênin. Era um neurótico volúvel com o temperamento tenso e fervente de um ator excitável que se compraz com o próprio drama - o que seu sucessor Nikita Khruchióv chamou de um litsedei, um homem de muitas faces. Lázar Kaganóvitch, um de seus camaradas mais próximos por mais de trinta anos, que também se dirigia à festa, deixou a melhor descrição desse "personagem singular": ele era "um homem diferente em diferentes momentos [...]. Conheci não menos de cinco ou seis Stálins".
Porém, a abertura de seus arquivos e muitas fontes novas disponíveis o iluminam mais do que nunca: não é mais suficiente descrevê-lo como um "enigma". Sabemos agora como ele falava (constantemente sobre si mesmo, amiúde com honestidade reveladora), como escrevia notas e cartas, o que comia, cantava e lia. Colocado no contexto da liderança fissípara soviética, um ambiente sem par, ele se torna uma pessoa real. O homem que havia dentro dele era um político superinteligente e talentoso para quem o próprio papel histórico era fundamental, um intelectual nervoso que lia história e literatura de modo compulsivo, um hipocondríaco inquieto que sofria de amidalite crônica, psoríase, dores reumáticas em seu braço deformado e algidez, resultado de seu exílio na Sibéria. Loquaz, sociável e excelente cantor, esse homem solitário e infeliz arruinou todas as suas relações de amor e de amizade ao sacrificar a felicidade à necessidade política e à paranóia canibalesca. Marcado pela infância e de temperamento anormalmente frio, tentou ser um pai e marido amoroso, mas envenenou todos os poços emocionais. Esse amante nostálgico de rosas e mimosas acreditava que a solução para todos os problemas humanos era a morte e foi obcecado por execuções. Esse ateu devia tudo aos padres e via o mundo em termos de pecado e arrependimento, mas era um "marxista convicto e fanático desde a juventude". Seu fanatismo era "semi-islâmico", seu egotismo messiânico, sem fronteiras. Assumia a missão imperial dos russos, mas continuava a ser um georgiano, levando as vendetas de seus antepassados para Moscou.
A maioria dos homens públicos tem o hábito cesarista de se afastar de si mesmo para admirar a própria figura no palco mundial, mas o afastamento de Stálin era em grau maior. Seu filho adotivo, Artiom Serguéiev, lembra dele gritando com o filho Vassíli por ter se aproveitado do nome do pai. "Mas eu sou um Stálin também", disse Vassíli.
"Não, você não é", replicou Stálin. "Você não é Stálin e eu não sou Stálin. Stálin é o poder soviético. Stálin é o que ele é nos jornais e nos retratos, não você, nem mesmo eu!"
Ele era uma criação de si mesmo. Um homem que inventa seu nome, data de nascimento, nacionalidade, educação e seu passado inteiro, a fim de mudar a história e desempenhar o papel de líder, provavelmente acabará numa instituição mental, a não ser que abrace, por vontade, sorte e habilidade, o movimento e o momento que podem inverter a ordem natural das coisas. Stálin foi um homem assim. O movimento foi o Partido Bolchevique; seu momento, a decadência da monarquia russa. Após a morte de Stálin, virou moda considerá-lo uma aberração, mas isso significava reescrever a história de modo tão grosseiro quanto o próprio Stálin fez. Seu sucesso não foi um acidente. Ninguém se ajustava mais às intrigas conspiratórias, às filigranas teóricas, ao dogmatismo homicida e à frieza desumana do partido de Lênin. É difícil encontrar uma síntese melhor entre um homem e um movimento que o casamento ideal de Stálin com o bolchevismo: ele era um espelho de suas virtudes e defeitos.


Nádia estava excitada porque se vestia para uma festa. No dia anterior, na parada do Dia da Revolução, a dor de cabeça fora insuportável, mas ela agora estava alegre. Assim como o verdadeiro Stálin era diferente de sua personagem histórica, o mesmo acontecia com Nadejda Allilúieva. "Ela era muito bonita, mas não se vê isso nas fotografias", lembra Artiom Serguéiev. Ela não tinha uma beleza convencional. Quando sorria, seus olhos irradiavam honestidade e sinceridade, mas era também solene, distante e perturbada por males físicos e mentais. Sua frieza era periodicamente destruída por ataques de histeria e depressão. Sofria de ciúmes crônicos. Ao contrário de Stálin, que tinha a graça de um verdugo, ninguém lembra do senso de humor de Nádia. Ela era uma bolchevique, bem capaz de agir como informante do marido, denunciando seus inimigos. Era então o casamento de um ogro e uma ovelha, uma metáfora do tratamento que Stálin dava à Rússia? Somente na medida em que se tratava de um casamento bolchevique em todos os sentidos, típico da cultura peculiar que o gerou. Contudo, visto de outro ângulo, trata-se simplesmente da tragédia comum de um empedernido viciado em trabalho que não poderia ser um parceiro pior para sua esposa autocentrada e desequilibrada.
A vida de Stálin parecia ser uma fusão perfeita de política e família bolchevique.
Apesar da guerra brutal contra os camponeses e da crescente pressão sobre os líderes, aquele era um período de idílio feliz, uma vida de fins de semana no campo em datchas tranqüilas, jantares alegres no Kremlin e férias lânguidas às margens do mar Negro que os filhos de Stálin lembrariam como as mais felizes de suas vidas. As cartas de Stálin revelam um casamento difícil, mas amoroso:
"Olá, Tatska [...] sinto tanto a sua falta Tatotchka - estou solitário como um mocho", escreveu para Nádia, usando o apelido carinhoso dela, a 21 de junho de 1930. "Não vou sair da cidade a negócios. Estou só acabando meu trabalho e depois vou sair da cidade com as crianças amanhã. [...] Então adeus, não demore muito, volte para casa mais cedo! Beijos! Seu Ióssif." Nádia estava tratando de suas dores de cabeça em Carlsbad, Alemanha. Stálin sentia saudades dela e cuidava das crianças, como qualquer marido. Em outra ocasião, ela terminava uma carta assim: "Peço muito que cuide de você! Mando beijos apaixonados, tal como você me beijou quando nos despedimos! Sua Nádia".
Nunca foi uma relação fácil. Ambos eram apaixonados e suscetíveis: suas brigas eram sempre dramáticas. Em 1926, ela levou os filhos para Leningrado, dizendo que o estava abandonando. Mas ele implorou que voltasse e ela voltou. Percebe-se que esse tipo de briga era freqüente, porém havia intervalos de um tipo de felicidade, embora não se devesse esperar aconchego nessa espécie de lar bolchevique. Stálin era amiúde agressivo e insultante, no entanto o que mais tornava difícil sua convivência era provavelmente seu distanciamento. Nádia era orgulhosa e severa, mas sempre doente. Se camaradas como Mólotov e Kaganóvitch achavam que ela estava à beira da "loucura", sua própria família admite que ela era "às vezes enlouquecida e demasiado sensível, todos os Allilúiev tinham sangue cigano instável". Os dois eram impossíveis de maneira parecida. Ambos eram egoístas, frios com temperamento fogoso, embora ela não tivesse nada da crueldade e duplicidade dele. Talvez fossem parecidos demais para ser felizes. Todas as testemunham concordam que a vida com Stálin "não era fácil, era uma vida dura". Não era um "casamento perfeito", disse Polina Mólotova à filha do casal Svetlana, "mas qual casamento o é?"
Após 1929, eles ficavam freqüentemente separados, pois Stálin ia de férias para o sul no outono, quando Nádia ainda estava estudando. Não obstante, os tempos felizes eram cálidos e amorosos: suas cartas eram levadas e trazidas por mensageiros da polícia secreta e os bilhetes seguem-se com tal rapidez que parecem e-mails. Mesmo entre esses ascetas bolcheviques havia insinuações de sexo: os "beijos muito apaixonados" que ela relembrou na carta citada acima. Eles gostavam da companhia um do outro. Como vimos, ele sentia muitas saudades quando ela estava longe e Nádia também sentia a falta dele. "É muito chato sem você", escreveu ela. "Venha para cá e será gostoso ficarmos juntos."
Eles compartilhavam Vassíli e Svetlana. "Conte alguma coisa sobre as crianças", escreveu Stálin do mar Negro. Quando ela está longe, ele relata: "As crianças estão bem. Não gosto da professora, ela anda correndo pelo lugar e deixa Vássia e Tolika [o filho adotivo Artiom] correr da manhã à noite. Tenho certeza de que Vaska vai mal nos estudos e quero que eles aprendam alemão". Muitas vezes, ela mandava junto com a carta os recados infantis de Svetlana. Compartilhavam suas preocupações com saúde como qualquer casal. Quando estava fazendo a cura nos banhos de Matsesta, perto de Sotchi, Stálin contou a ela: "Já tive dois banhos e terei dez [...]. Acho que ficarei seriamente melhor".
"Como está sua saúde?", perguntou ela.
"Tive um eco nos pulmões e uma tosse", respondeu ele. Seus dentes eram um problema perene: "Seus dentes, por favor, trate deles", disse Nádia.
Quando ela foi fazer uma cura em Carlsbad, ele pediu preocupado: "Você visitou os médicos - conte-me a opinião deles!". Sentia falta dela, mas se o tratamento demorasse mais, ele compreendia.
Stálin não gostava de trocar de roupa e usava trajes de verão no inverno; ela então se preocupava: "Mando-lhe um sobretudo porque depois do sul você pode pegar um resfriado". Ele também mandava presentes para Nádia: "Estou lhe mandando alguns limões", escreveu ele, orgulhoso. "Você vai gostar deles." Esse jardineiro zeloso gostaria de cuidar de limoeiros até sua morte.
Eles fofocavam sobre os amigos e camaradas que viam: "Ouvi dizer que Gorki [o romancista famoso] foi a Sotchi", escreveu ela. "Talvez esteja visitando você - que pena para mim. Ele tem uma conversa tão encantadora [...]". E, é claro, como uma criada bolchevique vivendo naquela minúscula família mais ampla de líderes e suas esposas, Nádia era quase tão obcecada por política quanto Stálin, passando adiante o que Mólotov ou Vorochílov lhe haviam contado. Mandava-lhe livros e ele agradecia, mas reclamava quando faltava um. Ela caçoava de Stálin devido à forma como ele aparecia na literatura dos russos brancos emigrados.
A modesta e austera Nádia não temia dar ordens. Repreendeu Poskrióbichev, o sombrio chefe de gabinete de Stálin, quando estava em férias, queixando-se de que "não recebemos nenhuma literatura estrangeira. Mas dizem que existem coisas novas boas. Talvez você converse com Iagoda [subchefe da gpu] [...]. Na última vez, recebemos livros muito desinteressantes [...]". Quando voltou das férias, mandou a Stálin as fotografias: "Só as boas - Mólotov não está engraçado?". Ele depois caçoou do absurdamente impassível Mólotov na frente de Churchill e Roosevelt. E mandou para Nádia fotografias das férias dele.
Porém, no final dos anos 20, Nádia estava descontente do ponto de vista profissional. Queria ser uma mulher com carreira bolchevique séria por seus próprios méritos. No começo dos anos 20 datilografara para o marido, depois para Lênin e Sergo Ordjonikidze, outro dínamo georgiano, responsável agora pela Indústria Pesada. Depois foi para o Instituto Agrário Internacional, no Departamento de Agitação e Propaganda, onde, perdida nos arquivos, encontramos o trabalho diário da esposa de Stálin em toda a sua monotonia bolchevique: seu chefe pede a sua assistente, que se assina "N. Allilúieva", para cuidar da publicação de um artigo extremamente chato intitulado "Devemos estudar o movimento jovem na aldeia".
"Não tenho absolutamente nada a ver com ninguém em Moscou", resmungava ela. "É estranho, mas me sinto mais próxima de gente que não é do Partido - mulheres, é claro. O motivo é que elas são de convivência mais fácil. [...] Há uma quantidade incrível de preconceitos novos. Se não trabalha, você é só uma baba! Ela tinha razão. As novas mulheres bolcheviques, como Polina Mólotova, eram políticas por seus próprios méritos. Essas feministas desprezavam as donas-de-casa e datilógrafas como Nádia. Mas Stálin não queria uma mulher desse tipo para ele: sua Nádia seria o que ele chamava uma "baba". Em 1929, Nádia decidiu se tornar uma mulher poderosa do partido e não saiu de férias com o marido, mas ficou em Moscou a fim de prestar exame para a Academia Industrial, onde estudaria fibras sintéticas, daí sua correspondência amorosa com Stálin. A educação era uma das grandes realizações bolcheviques e havia milhões como ela. Stálin queria realmente uma baba, mas apoiou a iniciativa de Nádia: por ironia, seus instintos talvez estivessem certos, pois ficou claro que ela não era suficientemente forte para ser estudante, mãe e esposa de Stálin ao mesmo tempo. Muitas vezes, ele terminava a carta assim: "Como vão os exames? Beijo minha Tatka!". A mulher de Mólotov tornou-se comissária do povo - e havia todos os motivos para que Nádia esperasse o mesmo.
[...]


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