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Companhia das Letrinhas
O LIVRO DO PALHAÇO
Cláudio Thebas



E O PALHAÇO, O QUE É?

Antes de começar eu preciso explicar umas coisinhas: a profissão de palhaço não é tão fácil de definir como a de veterinário, cantor, jogador de futebol. A gente pode até dizer que ele é uma pessoa que faz os outros darem risada, e vai estar certo, certíssimo. O problema é que não é só isso que ele faz. Eu conheço muita gente que, quando vê um palhaço, fica tão emocionada que, em vez de rir, começa a chorar. E as crianças pequenas, então? Algumas preferem jantar com um monstro sem cabeça a topar com um palhaço - chega a dar pena: choram, gritam, esperneiam! Parece até que vão ter um troço. (Eu mesmo já fiz muitas dessas vítimas. De vez em quando ainda faço. São coisas da profissão.)

Para escrever este livro eu entrevistei muitos profissionais e a todos eles perguntei a mesma coisa: "O que é ser palhaço, para você?". As respostas, como nós vamos ver, variaram bastante. Quando o tema é palhaço, não existe certo ou errado, mas opiniões pessoais.
Nas próximas páginas você vai encontrar exatamente isto: a minha visão particular da profissão. O que eu realmente mais quero é despertar no leitor a vontade de descobrir muito mais coisas sobre palhaços.


Palhaço, o colchão ambulante
A palavra "palhaço" vem do italiano paglia, "palha" em português. É que, muito tempo atrás, a roupa da maioria dos palhaços era feita do mesmo tecido grosso e listrado dos colchões. Essa roupa era afofada em algumas partes, para proteger o corpo nos tombos e os palhaços ficavam parecendo mesmo colchões ambulantes! Como naquela época o recheio dos colchões era feito de palha, quem recheava aquela roupa era chamado assim, de palhaço.


PALHAÇOS, MUITOS PALHAÇOS

Tudo começou com esta cena:

Um homem magricela, de terno e chapéu pretos, está ajoelhado em cima de um muro bem alto. Ele está com um dos braços esticados para baixo, tentando puxar um outro homem. Os dois estão com pressa, muita pressa. (Eu não lembro mais por quê). O homem que está embaixo também usa terno e chapéu pretos. Só que é bem gordo. Gordo e atrapalhado. Não sabe se sobe pelo braço do amigo ou se segura o chapéu. Fazer as duas coisas ao mesmo tempo parece impossível: agarra braço, escorrega chapéu, alcança chapéu, esquece do braço. Uma tremenda confusão!
Quando finalmente o gordo está quase lá em cima, o magro resolve dar mais uma ajudinha e o puxa com toda a força pelos fundilhos. Pra quê. . . A calça não agüenta e - reeeec! - rasga-se, deixando o gordo só de cuecas. Ele grita, desesperado, mas o magro não está mais lá: com o puxão, caiu de costas e ficou entalado numa lata de lixo!

Contado assim, pode não ter muita graça, mas minha mãe garante que, quando eu vi isso, soltei uma imensa gargalhada, dessas com o corpo inteiro. E que eu me sacudia na cadeira enquanto, na tela do cinema, o homem magro chorava de dor nas costas e o gordo gritava de dor. . . no terno.


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