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Companhia das Letrinhas
HISTÓRIAS PARA LER NA CAMA
Debi Gliori



SOPA DE PREGO

A galinha estava na cozinha nova da sua casa nova toda desanimada. Na frente dela havia seiscentas e quarenta e duas caixas de papelão com tudo o que ela possuía no mundo. Só uma caixa estava aberta. Dentro, a galinha encontrou a tigela de sopa, a tábua de carne, o facão e - incrível! - um prego enferrujado.
A campainha tocou e ela ouviu uma voz:
"U-u! Tem alguém em casa?"
É o meu novo vizinho, pensou a galinha, e foi correndo abrir a porta.
Era uma grande raposa vermelha.
"Bom dia", falou a raposa. "Seja bem-vinda neste bairro, minha querida.
Vim convidar você para jantar comigo esta noite."
A galinha já ia responder, quando a raposa agarrou o seu pescocinho, bateu a porta e rosnou: "Um jantarrrr muito simples... só você e eu. Você ferrrvendo na panela e eu com o garrrfo e a faca na mão."
A galinha pensou depressa - bem depressa, como alguém que está para ser devorado.
"Raposinha querida, tenho uma idéia muito melhor", cacarejou.
"Por que você não me ajuda a acabar minha sopa de prego? Dá dó jogar fora uma sopa tão boa, ainda mais que você está morrendo de fome."
"Sopa de prego?", disse a raposa. "Nunca ouvi falar."
"Uma delícia", disse a galinha.
"Você podia esvaziar essas caixas enquanto eu dou uma esquentada
na sopa!"
A raposa soltou um rrraurrrr bem forte, e começou
a abrir as caixas. Todas as seiscentas e quarenta e duas. Tinha acabado de abrir a última quando a galinha apareceu com uma colher cheia de sopa para ela provar.
"Arrrrg!", disse a raposa, e cuspiu tudo. "Isso é água quente com gosto de ferrugem!"
"Humm, você tem razão", murmurou a galinha. "Sem um pouco de sal, não dá para sentir o delicioso gosto de prego. Tive uma idéia: você podia pintar a sala enquanto eu misturo o sal na sopa!"
Essa coisa está esquisita, pensou a raposa, sem atinar o que era. Rosnando baixinho, foi para a sala.
Quando acabou de passar a última camada de verniz na madeira, a galinha trouxe outra prova de sopa.
"Eca! Água quente salgada com gosto de ferrugem!"
"Talvez...", disse a galinha. "Precisa pôr uns legumes, para engrossar um pouco... Você podia montar os armários da cozinha enquanto eu descasco e pico os legumes..."
[...]