Página 5 - YNARI

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Ynari voltou a correr para a sua
aldeia e decidiu não dizer a ninguém que tinha encontrado um homem
que era pequenino mas não era tão pequenino assim.
Os caçadores tinham regressado, e o povo estava à volta da fo­guei­ra
contente com a caçada, de modo que ninguém lhe ia ralhar por che­gar
tar­de.Ynari não gostava de ver os olongos mortos, em­bo­ra a sua avó lhe
tivesse explicado que os homens da sua aldeia só ca­ça­vam para comer.
Já deitada, a menina das cinco tranças sentiu que a avó se aproxi­ma­
va. A avó, que se mexia devagarinho porque era muito velhinha (e que
também estava a ficar pequenina embora não tão pequenini­nha co­mo o
homem que já não lhe parecia tão pequenino), veio deitar-se ao pé dela.
— Estás triste por causa dos olongos? — a avó perguntou.
— Não… Hoje o meu coração não ficou triste. Hoje… — e Ynari
qua­se revelou o seu segredo.
— Hoje o quê? — perguntou a avó.
— Nada, vó... Não te posso contar ainda. Mas hoje foi um dia muito
especial para mim — disse Ynari, deu um beijinho na avó e adormeceu.
N
o dia seguinte, muito cedo, mesmo antes de os galos cantarem,
Yna­ri afastou-se da aldeia em direção ao rio.
Sentou-se e ouviu ruídos nos capins altos.
O homem que agora não lhe parecia tão pequeno apareceu com o
mesmo sorriso nos lábios. Ela virou-se e cumprimentou:
— Bom dia, homem pequenino. Estou contente por te ver!