Página 15 - barnaby

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conseguia ver algumas poucas pinturas penduradas nas pa-
redes. Nunca havia estado num lugar como aquele e se sen-
tiu um pouco nervoso, mas respirou fundo, abriu a porta e
entrou.
A mulher sentada atrás da mesa olhou e, ao notá-lo ali,
fez uma cara de quem estava prestes a desmaiar de terror.
— Repugnante — disse ela com uma voz surpreenden-
temente masculina.
— O quê
?
— perguntou Barnaby.
— Suas roupas. Sem noção de cor, sem noção do que é
in
e do que é
out
. Quero dizer, bermuda xadrez nessa época
do ano
?
— acrescentou ela, olhando para Barnaby e balan-
çando a cabeça, em sinal de desprezo total. — Onde esta-
mos, num campo de golfe
?
A mulher se levantou e ele ficou surpreso com a altura
dela — mais de dois metros. Sua franja estava tão puxada
para trás que as sobrancelhas quase chegavam à linha dos
cabelos. Sua pele era cadavérica de tão branca e os lábios
estavam pintados com o tom mais aterrorizante de verme-
lho-sangue.
— E você seria quem
?
— perguntou ela, arrastando ao
falar cada palavra, como se pronunciá-las fosse dolorido.
— Eu sou Barnaby Brocket — disse Barnaby.
— Bom, isso aqui não é creche, Benjamin Blewitt — de-
clarou ela, num tom que sugeria que falar corretamente o
nome do garoto não era digno de sua pessoa. — Muito me-
nos orfanato. Isso aqui é uma galeria de arte. Saia imediata-
mente e leve junto esse seu cheirinho esquisito.
Barnaby se cheirou, exatamente como o Capitão W. E.