Página 16 - barnaby

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de Charles e não quis mais seguir. Sua boca ficou escanca­
rada, ela congelou e parecia que não sabia se ia gritar ou
simplesmente desmaiar.
— Venha, Betty-Ann — disse a mãe, ríspida, também
percebendo Charles e lançando um olhar de irritação em
sua direção, como se fosse desatencioso da parte dele entrar
num vagão de trem com aquele rosto. — Betty-Ann, eu fa-
lei para
vir
!
Mas a menininha continuava recusando-se a pegar o as-
sento.
— Faça o que estou mandando,
por favor
— insistiu a
mulher, e dessa vez empurrou a filha para frente, forçando-a
a pegar o assento da janela enquanto ela ficava com o cor-
redor; apenas um espaço estreito a separava de Charles.
Barnaby observou tudo aquilo com grande interesse e
então virou-se para seu companheiro, ocupado com uma
matéria, ainda que Barnaby já o tivesse visto lendo aquela
mesma página, muito concentrado, trinta minutos antes.
Claro que quando Barnaby conheceu Charles, na noi-
te anterior, ele também tinha ficado espantado com as ci-
catrizes vermelho-escuras e a pele enrugada que tomava
seu rosto, de baixo do olho direito até o lado esquerdo do
queixo. Uma de suas orelhas também tinha uma aparência
terrível, e havia uma cicatriz de pele bem branca sob a so-
brancelha direita que parecia totalmente lisa. Mesmo que
soubesse que era deselegante, Barnaby continuou en­
carando até que Charles baixou o jornal e virou-se para
olhá-lo.
— O que foi
?
— perguntou ele.