Página 2 - barnaby

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toda a sua vi­da, palavra que considerava extremamente
ofensiva toda vez que era empregada por alguém na Bother
& Blastit. Era uma palavra curta. Duas sílabas. Mas expressava
exa­ta­mente tu­do que ela estava sentindo naquele momento
em parti­cular.
— É isso mesmo — gritou o dr. Snow, animadíssimo. —
Lá vem ele! Um, dois, três, mais uma forcinha, a última, tu-
do bem
?
Um...
Eleanor inspirou.
— Dois...
Expirou.
— Três!
E então veio a extraordinária sensação de alívio e o cho-
ro do bebê. Eleanor despencou na cama e gemeu, feliz por
aquela tortura ter chegado ao fim.
— Minha Virgem Santa — disse o dr. Snow um instante
depois, e Eleanor ergueu a cabeça do travesseiro, surpresa.
— O que houve
?
— perguntou ela.
— É extraordinário — disse o médico, enquanto Elea-
nor se sentava, apesar da dor, para ver melhor o bebê que
provocava uma reação tão anormal.
— Mas onde ele está
?
— perguntou ela, uma vez que
Barnaby não estava nos braços do dr. Snow nem na ponta
da cama. Foi então que ela notou que nem médico nem en-
fermeiras estavam olhando para ela, mas fitavam boquiaber-
tos o teto, onde um bebê recém-nascido — o recém-nascido
dela
— estava encostado nos azulejos brancos, sorrindo
atrevidamente para os quatro logo abaixo.
— Está lá em cima — respondeu o dr. Snow, estupefato.