Página 20 - barnaby

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Naquele momento, Delilah espirrou forte e, de repente,
sumiu.
— Xi — disse uma voz que vinha do mesmo lugar onde
ela estava anteriormente. Sua própria voz, na verdade. —
Aconteceu de novo. Alguém está com os sais aromáticos
?
Francis deu um passo à frente, tirou uma caixinha de
pra­ta ornamentada do bolso do casaco, abriu-a e colocou
uma pitada de um pozinho cinza na mão. Esticou o braço na
di­reção de onde Delilah estava e a coisa sumiu de ime­diato,
acompanhada de um som de inalação. Então, ouviu-se outro
tremendo espirro, e Delilah ressurgiu dian­te deles.
— Enfim — disse Liam, agora erguendo um pouco a
voz. — Se vocês já terminaram aí... Como eu estava dizendo,
­o Capitão Hoseason era mestre de picadeiro, mas cansou
dos bichos de circo e resolveu ir atrás de algo mais empol-
gante. Foi quando ele encontrou o senhor Francis De­
laware.
— Fui o primeiro — confirmou Francis.
— Como você pode ver, Barnaby, Francis não tem nariz
nem orelhas, embora tenha olfato e audição perfeitos. Para
nós é um traço fascinante de caráter, mas para o Capitão
Hoseason ele é um monstro.
— Ele achou que as pessoas iam pagar para me ver —
disse Francis. — E tinha razão, pagaram. Houve um tempo
em que fomos só nos dois, o que não rendia muito, claro.
Mas aí ele conheceu a Delilah.
— Eu fui a segunda — disse Delilah. — Ele viu o que
acontecia quando eu espirrava e também me capturou.
— Acontece sempre
?
— perguntou Barbaby.