Página 5 - barnaby

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Barnaby saiu do hospital três dias depois. Foi para casa
conhecer Henry e Melanie.
— Seu irmão é um pouco diferente de nós — explicou
Alistair durante o café daquela manhã, escolhendo as pala-
vras com cuidado. — Creio que seja algo temporário, mas é
perturbador. Só não fiquem olhando, tudo bem
?
Se ele des-
cobrir que tem plateia, vai se sentir incentivado a continuar
com esse absurdo.
As crianças se entreolharam, surpresas, sem saber o que
o pai queria dizer com aquilo.
— Ele tem duas cabeças
?
— perguntou Henry, pegando
a geleia de laranja. De manhã, ele gostava de passar geleia
de laranja na torrada. À noite não; aí era de morango.
— Não, é óbvio que ele não tem duas cabeças — res-
pondeu Alistair. — Quem nesse mundo teria duas cabeças
?
— Um monstro marinho de duas cabeças — disse Hen-
ry, que há pouco tinha começado a ler um livro sobre um
monstro marinho de duas cabeças chamado Orco, que cau-
sava muita destruição no Oceano Índico.