Página 7 - barnaby

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era aquela barulheira infernal. Quando viu o que o mari­do
ha­via feito com o teto da sala, passou um instante encaran-
do-o, sem palavras, e perguntando-se se todos naquela casa
haviam enlouquecido.
— Mas o que...
?
— disse ela, tentando encontrar pala-
vras. Alistair apenas sorriu e trouxe o moisés até o centro da
sala de estar, onde soltou as alças da mochila para deixar
Barnaby flutuar mais uma vez. Dessa vez, contudo, ele não
bateu a cabeça no teto nem disse “ai”. Em vez disso, fez uma
“atetorrissagem” muito mais suave e parecia bem feliz por lá,
brincando com os dedos da mão e examinando os do pé.
— Funciona — disse Alistair, muito satisfeito, voltando-
-se para a esposa na expectativa de que ela ficasse alegre com
sua obra. Eleanor, contudo, sendo a mulher perfeitamente
normal que era, estava horrorizada.
— É ridículo — berrou ela.
— Mas não será por muito tempo — disse Alistair. — É
só até ele se acostumar com o chão.
— Mas e se ele nunca se acostumar
?
Não podemos dei-
xá-lo lá em cima para sempre.
— Confie em mim. No devido tempo ele vai se cansar
desse negócio de flutuar — insistiu Alistair, tentando soar
otimista, apesar de não se sentir nem um pouco otimista. —
Espere e verá. Até lá, porém, não podemos deixá-lo batendo
a cabeça toda vez que foge das nossas mãos. Vai fazer mal
ao cérebro dele.
Eleanor ficou em silêncio. Manteve apenas uma expres-
são de desgraça. Deitou-se no sofá e ficou olhando o filho,
acomodado três metros acima, perguntando-se o que teria