Página 8 - barnaby

Versão HTML básica

50
— Mas eu não estou contente com o colégio — disse
Barnaby. — Eu acabei de falar.
— Que bom, querido.
Mas aconteceu que sua passagem pela Academia Gra-
veling teve um final abrupto. Na tarde da quarta-feira se-
guinte, o cheiro de fruta podre, os tetos gordurentos, as
lixeiras lotadas, as marcas de cigarro, o batom da sra.
Hooperman-Hall e as paredes descascando combinaram-se
e deram início a um incêndio no canto do longo corredor
que separava os alunos mais recentes, ainda em experiência,
dos “con­denados” a ficar lá para sempre. O fogo percorreu os
velhos car­petes e gerou uma série de pequenas chamas que
pas­saram por cima de cada porta e, assim que chegaram à
sala de Barnaby, subiram rapidamente pelas paredes, onde
tinham combustível para ficar mais fortes e maiores a cada
curva. Em questão de minutos, a sra. Hooperman-Hall e as
crianças estavam gritando e puxando as antigas barras de
metal das janelas, pulando para o telhado e deslizando pela
calha para se salvar.
Barnaby, contudo, ainda estava amarrado à sua cadeira.
Ninguém havia se lembrado de desamarrá-lo.
— Socorro! — gritou ele, remexendo-se nas amarras.
Porém, quanto mais se remexia, mais apertadas elas ficavam.
— Alguém me ajude!
As chamas estavam ficando mais altas, e uma parede to-
da da sala de aula estava sendo consumida pelo fogo. Bar-
naby começou a tossir, sentindo a fumaça na garganta su­
focá-lo e os olhos encherem de lágrimas.
— Socorro — ele tentou gritar de novo, a voz agora