Página 7 - amizade

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vendo aquela folia toda se juntou aos demais e trouxe consigo frutas secas:
amêndoas, uvas-passas, damascos.
D. Lourdes, que antes só corria atrás das crianças, com medo de tudo,
achou que era hora de se juntar aos demais e deixar de ter tanto receio.
Levados por Irá e Aukê, chegaram a um forno que mais parecia uma ca­
sa de joão-de-barro: era redondo por fora e como uma caverna por dentro.
Era quente, e podiam muito bem assar um pão esponjoso. E foi o que fize­
ram. Colocaram tudo aquilo no forno e o cheiro logo veio.
Pedro apontava para a barriga fazendo gestos circulares e dizia: fome. Foi
logo imitado por todos os demais, como se esse fosse um grito de guerra.
E o bolo estava pronto. Era meio baixinho, mas parecia gostoso demais.
Pedro colocou açúcar por cima e Aukê jogou o mel que havia retirado de uma
árvore.
Abriram um coco para matar a sede e logo sentaram juntos, assim como
juntos comeram a primeira refeição comum.
— Pois é — pensou d. Lourdes vendo aquele belo espetáculo de
amizade.
Tantas frutas novas, tantos produtos da terra — e lá estavam eles irma­
nados pelo doce do açúcar ou do mel, pelo cheiro do bolo e pela proximida­
de, que era, antes de tudo, humana.
E disse para si mesma:
— Não é que as palavras e os costumes podem afastar, mas a co-
mida e a amizade unem a todos?