Quinto volume da Coleção Literatura ou Morte, Os leopardos de Kafka narra a história de Benjamin Kantarovitch, um jovem que no dramático ano de 1916, às vésperas da Revolução Russa, sai de sua aldeia judaica no interior da Rússia e vai a Praga cumprir uma missão revolucionária - planejada por ninguém menos do que Leon Trotski. Benjamin está certo de que passará à história. O problema é que, antes de ser revolucionário, ele é atrapalhado. Perde um envelope contendo o nome do agente com quem deverá entrar em contato e, por engano, chega a Kafka, que, confundindo-o com um funcionário de uma revista literária, entrega-lhe um texto para ser publicado. Sucedem-se as confusões, que terão desdobramentos inclusive no Brasil - para onde Benjamin emigrará -, à época do golpe de 1964. Com o seu humor característico, em Os leopardos de Kafka Moacyr Scliar nos mostra que as coisas são mais trágicas - ou cômicas - do que parecem. Seu texto cria uma forma de ilusionismo que se anula sem cessar; essa "arte do desmentido" serve para afirmar, com notável originalidade, a ligação entre a literatura e a vida.
Opinião do leitor
Eis um livro a ser lido de uma sentada. Vertiginoso, rápido e cruento. Curiosamente li este livro dias antes do incidente do Booker Prize, onde o canadense Yan Martell recebeu a honraria máxima da literatura bitânica por um plágio da trama de "Max e os felinos" chamado "The Life of Pi". O estilo de Moacyr é inegável. Escreve bem e com uma fluidez rara. E tem idéias muito interessantes neste mar de asneiras no qual se afoga atualemente a literatura nacional. Sem falar na sua produtividade. Scliar conjuga quantidade e qualidade.
Roberto Oleiro Soares, Pelotas, 13/07/2004
Avalie este comentário
"Os Leopardos..." é incrível, como tudo o que sai da genial mente de Scliar, provavelmente o maior escritor brasileiro da atualidade. Dispensando comentários, fiquei sabendo que Scliar ganhou um prêmio ídiche em Nova York: Sua obra-prima, O Centauro no Jardim, é considerada uma das cem mais importantes obras literárias de temática judaica dos últimos duzntos anos! Em outras palavras, Scliar está no patamar de Babel e Kafka! É um privilégio termos um escritor assim e o Brasil deveria conhecer mais sua obra.