Em plena Segunda Guerra Mundial, um jovem escritor vai tentar a sorte em Nova York, pagando aluguel barato no mesmo prédio decadente em que, alguns andares abaixo, certa moça loira e míope ganha a vida com muita graça e pouca virtude. Aos poucos, ela se torna o centro das atenções do escritor, intrigado com o enigma da jovem sulista que, com uma passagem por Hollywood e uns laivos de francês, transforma a si mesma numa personagem ímpar: sonhadora e pé-no-chão, ingênua e indefinível, Holly Golightly não deixa ninguém indiferente. A novela de Capote é um prodígio de leveza e precisão que, ao ser filmada em 1961 por Blake Edwards, com Audrey Hepburn no papel de Holly, conquistou o público de cinema e fez de Holly uma das grandes personagens da cultura popular americana.
O mesmo fascínio exercido por esse tipo de personagem à margem da "respeitabilidade" se encontra nos três relatos breves também incluídos nesta edição: Uma casa de flores (1951) narra o vaivém de uma moça haitiana entre as suas montanhas natais e um bordel em Porto Príncipe; em Um violão de diamante (1950), um jovem prisioneiro cubano conduz uma trama de sedução platônica e cruel numa colônia penal sulista; e Memória de Natal (1956) fecha o volume com uma memória de infância que é ao mesmo tempo tributo a uma figura adorável e, à sua maneira única, perfeitamente excepcional.
Opinião do leitor
Apesar de "A Sangue Frio" ser considerada a obra prima de Truman Capote, "Bonequinha de Luxo" é o meu preferido. Holly Golightly é uma personagem inesquecível, imortalizada pelo cinema mas que aparece no livro muito mais ácida, até cruel em alguns momentos. Se o filme tem Audrey Hepburn e "Moon River", o livro tem a prosa perfeita de Truman Capote, que gera reflexões, emociona e causa o mesmo prazer a cada releitura. O último conto desta coletânea, "Memória de Natal" é uma das coisas mais emocionantes já escritas.
Daniel Boratto, BH, 27/08/2006
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Ótimo livro, boa tradução, projeto da capa pouco explorado, mas vale - claro, e muito - a pena. Quem ler, tem que ver o filme (apesar do japonês caricato e insuportável), quem viu o filme tem que ler. Espero que continuem a publicar a obra desse excelente estadunidense. Não se esqueçam de "Other voices, other rooms".