O romance Mongólia estrutura-se como um "diálogo" entre o diário de um fotógrafo desaparecido nos montes Altai e as anotações do diplomata brasileiro encarregado de encontrá-lo.
A narrativa apresenta experiências marcadas pelo contato do olhar estrangeiro com a cultura de um país desconhecido: a vida dos nômades no deserto de Gobi e nas estepes mongóis, dos tsaatan (criadores de renas) na fronteira com a Rússia e a dos criadores de camelos no deserto de Sharga; os encontros com um cantor difônico, um monge budista e um falcoeiro cazaque.
Os protagonistas se vêem diante de um povo que exercita o misticismo como quem descobre a liberdade depois de setenta anos sob o jugo de uma ditadura comunista. Na Mongólia, a imaginação, antes cerceada, agora ocupa o lugar da memória que se perdeu pelo uso da força.
Desconfiados e iludidos, os mongóis misturam a percepção da realidade com o desejo e a imaginação, assombrados por histórias cuja veracidade só podem provar com a própria perdição.
O autor viajou à Mongólia em 2002 com uma bolsa concedida pela editora portuguesa Cotovia em parceria com a Fundação Oriente de Lisboa.
Opinião do leitor
Um livro envolvente e maravilhosamente bem escrito.
Plinio da Silva, Sao Paulo, 14/02/2006
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O livro é maravilhoso. A polifonia de vozes, a linguagem enchuta, a descrição da Mongólia e a maestria com que o autor mescla os diários envolvidos na trama com os comentários do narrador, fazem da obra mais que um simples romance. Como seria bom se tivessemos mais obras que relatassem a cultura de outros paises dentro de uma gostoda históia.