Sobre esta obra de Georges Perec, Italo Calvino escreve: "Exemplo daquilo que chamo de hiper-romance é A vida, modo de usar, romance extremamente longo, mas construído com muitas histórias que se cruzam (não é por nada que no subtítulo traz romances no plural), renovando o prazer dos grandes ciclos à la Balzac. Creio que este livro, publicado em Paris em 1978, quatro anos antes da morte prematura do autor aos 46 anos, talvez seja o último verdadeiro acontecimento na história do romance. E isso por vários motivos: o incomensurável do projeto nada obstante realizado; a novidade do estilo literário; o compêndio de uma tradição narrativa e a suma enciclopédica de saberes que dão forma a uma imagem do mundo; o sentido do hoje que é igualmente feito com acumulações do passado e com a vertigem do vácuo; a contínua simultaneidade de ironia e angústia; em suma, a maneira pela qual a busca de um projeto estrutural e o imponderável da poesia se tornam uma só coisa".
Opinião do leitor
Sabe o que é ser original? Sabe o que é criar do nada, algo? Sabe o que é te envolver, de-va-ga-ri-nho numa prosa enrolada de boa. É Perec! Um título desse, pretensioso, "V. modo de usar", só poderia pertencer a um escritor talentosíssimo como este. Delícia de leitura. Um emaranhado de histórias que refletem o próprio enigma da vida, desfazer e juntar os pedaços. Obra prima.