Reconhecido por autores como Henry James como “o romance perfeito”, Madame Bovary é a obra fundamental de Gustave Flaubert (1821-80). Trata-se de um raridade, mesmo em um clássico, um exercício meticuloso de escrita que igualmente desafiava as estruturas literárias e as convenções sociais. Não à toa, a época de lançamento o impacto foi duplo: um sucesso de público e a reação feroz do governo francês, que levou o autor a julgamento sob a acusação de imoralidade.
Flaubert inventou um estilo totalmente novo e moderno, praticando uma escrita que, ao longo dos cinco anos que levou para terminar o livro, literalmente avançou palavra a palavra. Cada frase devia refletir o esforço em obtê-la, sendo reescrita e reescrita ad infinitum. Mestre do realismo, o autor documenta a paisagem e o cotidiano da segunda metade do século XIX, ironizando os romances sentimentais e folhetins, gêneros que considerava obsoletos.
A história faz um ataque à burguesia, desmoralizando-a com a descrição exuberante de sua banalidade. Em um tempo em que as mulheres eram submissas, Emma Bovary encontra nos tolos romances dos livros o antídoto para o tédio conjugal e inaugura uma galeria de famosas esposas adúlteras atormentadas na literatura.
Autor do clássico da poesia francesa moderna As flores do mal (1847) nasceu em Paris, em 1821. Abandonando cedo os estudos formais, vivia da herança deixada pelo pai morto quando ele tinha seis anos. De hábitos boêmios e filiação política simpática aos movimentos revolucionários iniciados em 1848 na França, não era bem-aceito pelo stablishment literário do país e sofreu um processo por obscenidade e blasfêmia, motivado pela publicação de As flores do mal. Morreu em 1867, sem conhecer a fama e deixando uma extensa obra que inclui poesia, ensaios, diários e cartas.
É professor de francês na Universidade de York e autor de uma série de biografias literárias, incluindo uma de Flaubert, lançada em 2001, traduzida para quatro idiomas.
É escritora e tradutora norte-americana. Vencedora do French-American Foundation Translation Prize de 2003 por sua tradução de No caminho de Swann, de Marcel Proust, foi nomeada Chevalier da Ordem das Artes e das Letras pelo governo francês por sua obra de ficção e tradução. É autora do romance The end of history e de quatro volumes de contos, incluindo Varieties of disturbance, finalista do National Book Award de 2007. Vive em Albany, Nova York.
É professor aposentado da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e tradutor de obras de filosofia, literatura e ensaística francesa. Em 1997, ganhou o prêmio Jabuti pela tradução de Poetas de França hoje. Atuou como professor visitante em Toulouse, Rennes e Bordeaux, na França, e vive em São Paulo.
Filho caçula de um médico provincial, nasceu na cidade de Rouen, na França, em 1821. Ainda menino, cheio de desprezo romântico pelo mundo burguês, declarou-se “enojado com a vida”. Aos dezoito anos, foi estudar direito em Paris, mas não lamentou quando, apenas três anos depois, uma doença nervosa lhe interrompeu a carreira. Flaubert passou a morar com a mãe viúva na casa da família em Croisset, à beira do rio Sena, perto de Rouen. Vivendo de renda, dedicou-se a escrever. Na obra inicial, particularmente A tentação de santo Antão, deu rédeas soltas à imaginação exuberante, mas, posteriormente, seguindo o conselho dos amigos, disciplinou esse entusiasmo romântico em um esforço para lograr objetividade artística e um estilo harmonioso de prosa. Seu perfeccionismo custava-lhe um trabalho árduo e só lhe valeu um sucesso limitado. Após a publicação de Madame Bovary em 1857, ele foi processado por ofender a moral pública; seu romance exótico Salambô (1862) foi criticado pelas incrustações de detalhes arqueológicos; A educação sentimental (1869), que devia ser a história moral de sua geração, foi muito mal interpretado pela crítica; e a peça política O candidato (1874) fracassou desastrosamente. Apenas Três contos (1877) teve um grande sucesso, mas foi publicado quando o espírito, a saúde e as finanças de Flaubert haviam chegado a seu ponto mais baixo. Após a sua morte em 1880, a fama e a reputação de Flaubert cresceram continuamente, reforçadas pela publicação de sua obra-prima cômica inacabada Bouvard e Pécuchet (1881) e pelos muitos volumes notáveis de sua correspondência.
Fundada em 1946, a Penguin Classics é o mais célebre selo do Grupo Penguin e a maior e mais abrangente editora de clássicos do mundo. A partir de 2010, passa a ser também a primeira editora de língua inglesa a publicar clássicos traduzidos para o português.
O selo Penguin-Companhia das Letras editará obras do riquíssimo catálogo da coleção Penguin Classics, e uma série de títulos consagrados da língua portuguesa.