Os poemas de Em trânsito têm uma delicada linha narrativa, uma nítida espinha dorsal, visível quando o leitor acompanha o olhar do poeta em seu trajeto cotidiano para o trabalho e de volta para casa, e em seus pequenos trajetos aleatórios: o que obtém é a percepção contundente da passagem do tempo, dos frágeis componentes da vida, da experiência humana. No caminho entre a casa e o trabalho o poeta recolhe cenas corriqueiras, como a draga escavando o leito do rio, os passageiros esperando o trem: são poemas que transmitem a consciência constante de estar no mundo em companhia - e de partilhar a experiência dessa travessia com a multidão de desconhecidos, uma multidão que de repente entra em foco: “um homem de casaco/ atravessa a rua/com seu cão [.
