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Cia das Letras

O diabo na água benta

Tradução: Carlos Afonso Malferrari

A calúnia, a difamação e a maledicência floresceram como nunca na França do século XVIII. Antes da Revolução, publicações anônimas, denominadas libelos, desafiavam a censura ao combater o despotismo crescente do governo, cada vez mais distante do homem comum.

A calúnia, a difamação e a maledicência floresceram como nunca na França do século XVIII. Antes da Revolução, publicações anônimas, denominadas libelos, desafiavam a censura ao combater o despotismo crescente do governo, cada vez mais distante do homem comum. Ante o risco de passarem o resto de seus dias nas celas da Bastilha, os criadores desse submundo literário se refugiaram em diferentes capitais europeias. Em Londres, estabeleceu-se uma verdadeira linha de produção incluindo escritores, livreiros e distribuidores que recorriam a caminhos tortuosos pelos quais os libelos chegavam ao continente, onde eram consumidos por um público ávido por ter acesso às intrigas e à imoralidade que reinava nos subterrâneos do poder. O diabo na água benta, um dos libelos mais corrosivos da época, é uma narrativa irônica do labirinto em que se perderam os agentes franceses que atravessaram o Canal da Mancha e se infiltraram nos becos londrinos dispostos a desmontar a indústria editorial que ameaçava os fundamentos da monarquia. Embora tivessem sucesso em intimidar um ou outro autor ou em suprimir algumas tiragens, os policiais eram geralmente ludibriados, e muitos se venderam, passaram a fazer jogo duplo e contribuíram para a multiplicação das denúncias que, segundo Robert Darnton, tiveram um papel nada desprezível na mobilização popular que desencadeou a Revolução. A partir de um trabalho de pesquisa de erudição invejável, Darnton nos revela uma literatura pouco conhecida, de importância histórica indiscutível, precursora do jornalismo investigativo - e também do sensacionalista - dos nossos dias.

Sinopse

A calúnia, a difamação e a maledicência floresceram como nunca na França do século XVIII. Antes da Revolução, publicações anônimas, denominadas libelos, desafiavam a censura ao combater o despotismo crescente do governo, cada vez mais distante do homem comum. Ante o risco de passarem o resto de seus dias nas celas da Bastilha, os criadores desse submundo literário se refugiaram em diferentes capitais europeias. Em Londres, estabeleceu-se uma verdadeira linha de produção incluindo escritores, livreiros e distribuidores que recorriam a caminhos tortuosos pelos quais os libelos chegavam ao continente, onde eram consumidos por um público ávido por ter acesso às intrigas e à imoralidade que reinava nos subterrâneos do poder. O diabo na água benta, um dos libelos mais corrosivos da época, é uma narrativa irônica do labirinto em que se perderam os agentes franceses que atravessaram o Canal da Mancha e se infiltraram nos becos londrinos dispostos a desmontar a indústria editorial que ameaçava os fundamentos da monarquia. Embora tivessem sucesso em intimidar um ou outro autor ou em suprimir algumas tiragens, os policiais eram geralmente ludibriados, e muitos se venderam, passaram a fazer jogo duplo e contribuíram para a multiplicação das denúncias que, segundo Robert Darnton, tiveram um papel nada desprezível na mobilização popular que desencadeou a Revolução. A partir de um trabalho de pesquisa de erudição invejável, Darnton nos revela uma literatura pouco conhecida, de importância histórica indiscutível, precursora do jornalismo investigativo - e também do sensacionalista - dos nossos dias.

Ficha técnica

Título Original
The devil in the holy water or the art of slander from Louis XIV to Napoleon
Selo
Companhia das Letras
Lançamento
01/08/2012
ISBN
978-85-359-2128-1
Acabamento
Livro brochura
Páginas
632
Formato
23x16 cm
Peso
940 g
Tradução
Carlos Afonso Malferrari