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Cia das Letras

O lar é tão triste e outros poemas

Tradução: Paulo Henriques Britto

Reunião de 45 poemas representativos da produção de um dos principais poetas britânicos do século XX, desde sua estreia — com North Ship, de 1945 — até sua última coletânea, High Windows, de 1974, além de poemas não publicados em livro. Edição bilingue.

Reunião de 45 poemas representativos da produção de um dos principais poetas britânicos do século XX, desde sua estreia — com North Ship, de 1945 — até sua última coletânea, High Windows, de 1974, além de poemas não publicados em livro. Edição bilingue.

A obra de Philip Larkin pode ser resumida em um mote: a desesperança. Seus versos tratam da dificuldade do eu lírico de se relacionar com os outros e de encontrar propósito em percorrer o destino esperado — crescer, casar, ter filhos. Essa descrença, abordada em tom extremamente lógico e por vezes cínico, confere aos poemas uma visão pessimista e pragmática sobre o significado da vida.

O poeta Paulo Henriques Britto, responsável pela organização e pela tradução deste volume, comenta a inventividade e os temas caros ao autor: “O medo de morrer, a rejeição ao casamento e a ojeriza às crianças (que Larkin afirma numa carta) apontam todos num mesmo sentido: uma incapacidade de aceitar — tanto no plano racional quanto no emocional — algumas condições básicas e inescapáveis da experiência humana”.

Com uma produção que pode ser considerada breve, inicialmente marcada pela influência de poetas como W. H. Auden e W. B. Yeats, Larkin notabilizou-se por retratar o vazio existencial, como evidencia o magistral poema “Aubade” (“Alba”): “A mente sofre. Não por remorso — o bem não/ Feito, o amor não dado, os anos e anos mal/ Gastos, apenas jogados no lixo, ou então/ Tentando consertar um erro inicial;/ Mas pela ideia de um total e eterno nada”.