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Cia das Letras

Poesias

Um marco na trajetória de Manoel de Barros, Poesias, publicado originalmente em 1956, inaugura o projeto narrativo e estético que conquistou os leitores ao longo das décadas seguintes. A edição conta com fotos e documentos do acervo pessoal do autor e prefácio de Aline Bei.

Um marco na trajetória de Manoel de Barros, Poesias, publicado originalmente em 1956, inaugura o projeto narrativo e estético que conquistou os leitores ao longo das décadas seguintes. A edição conta com fotos e documentos do acervo pessoal do autor e prefácio de Aline Bei.

Poesias é o último título da tríade que compõe a primeira fase da escrita de Manoel de Barros. Ainda bastante urbano na temática e marcado pela experimentação, este é um livro onde as características principais da linguagem inaugurada por Manoel se encontram latentes. A atenção ao que parece desimportante indica a busca em desarrumar a lógica comum das coisas por meio de um modo de “desver” o mundo, como o próprio poeta diria. Para Italo Moriconi, convivem em Poesias, de um lado, a memória do menino do mato crescido em Corumbá e no Pantanal, e de outro, o poeta que sonda e explora a cidade grande.

Pouco tempo depois da publicação de Poesias, e com a morte do pai, Manoel de Barros assumiu a fazenda no Pantanal, indo para lá com a mulher Stella e os filhos. A convivência direta com a paisagem pantaneira alteraria de vez sua escrita, intensificando ainda mais sua relação com a natureza e o rompimento com a “racionalidade” civilizatória. Manoel nos ensina que, para ser boa, a poesia tem que ser ilógica, “pois a razão diminui a poesia”.