Mãe de criança pequena, de criança maior, de adolescente. Mãe que trabalha, mãe que está sobrecarregada, mãe que “explode”. Mãe que se realiza, mãe que se acolhe, mãe que abraça. Poderíamos continuar parágrafos e parágrafos aqui listando “tipos de mãe”, pois conforme a sociedade avança, vamos descobrindo mais maneiras de sermos mães ou de sermos as melhores mães que pudermos ser.

Este ano, para celebrar com vocês o Dia das Mães, pedimos a colaboração de livreiras para fazer as indicações. Cada uma, tem um motivo-mãe, um motivo-filha, um motivo-amiga, um motivo-mulher... o que importa é o cuidado que só uma literatura linda como essas aqui são podem proporcionar!
Um agradecimento especial à Malu Custódio, da Livraria Cia Ilimitada, de São Paulo/SP; à Patrícia Vasconcellos, da Livraria Pó de Estrelas, de Recife/PE; à Jéssica Nolte, da Livraria Casa Cosmos, de São Paulo/SP; à Bruna Lubambo, da Livraria Aluá, de Belo Horizonte/MG; à Gisele Cassano, da Livraria Contos do Ben, de Curitiba/PR; e à Gisele Gambini, Camila Sena e Carolina Oliva, da Livraria Novesete, de São Paulo/SP.
Confiram:
Mamãe Zangada (Companhia das Letrinhas, 2025), de Jutta Bauer, tradução Sofia Mariutti

Este clássico da autora alemã ao mesmo tempo que assusta é um acalento. Na história, um fragmento de um dia de mãe e filho, em que um grito dela é tão forte que ele se despedaça até que seja “reconstruído” com um pedido de desculpas.
Gisele: “O Mamãe zangada eu conheci no ano passado e me impactou muito. O Ben, meu filho, já está quase saindo da primeira infância, já se posiciona, tem autonomia e, por vezes, é difícil lidar com tantos questionamentos, vontades e acabamos tendo alguns conflitos. Quando isso acontece e eu brigo, ele fica muito triste e diz que não consegue fazer nada, que fica triste, que precisa abraçar. Aí é que a gente se dá conta de quão difícil é lidar com nossos sentimentos e expectativas. Eu paro, abraço ele, a gente recolhe nossos pedaços e vamos nos costurando, aprendendo a ser mãe e filho.”
Malu: “Para a mãe que "explode" de vez em quando, mas sabe (ou quer aprender...) pedir desculpas!”
Gislene, Camila e Carolina: “Para as mães sobrecarregadas que precisam além de pedir desculpas aos filhos, pedir desculpas a si mesmas.”
Bruna: “Eu indicaria para toda mãe que já perdeu a paciência com o filho: todas nós”.
Quando mamãe virou um monstro (Brinque-book, 2002), de Joanna Harrison, tradução Gilda de Aquino

“Crianças, arrumem seus cabelos e penteiem suas camas, e tudo bem direitinho!”. Assim começa o dia nesta família que acaba de saber que irá receber visitas e, por isso, precisam ajeitar a casa. A frase é da mamãe, que parece já ter acordado super atarefada, super sobrecarregada, super irritada… alguém se identifica? Pois esta mãe narrada em textos e imagens assombrosas pela autora inglesa vai se transformando em um monstro! No livro, a gente vê o que acontece… mas será que as crianças aprenderam algo? Um livro divertidíssimo de ler em voz alta, cheinho de reflexões.
Malu: “Para a mãe que às vezes gosta de ler um livro com o filho apenas para se divertirem juntos!”
Jéssica: “Um livro para mamães reais e cansadas.”
Loba (Pequena Zahar, 2023), de Roberta Malta e Paula Schiavon

Uma menina sai de casa para buscar flores na floresta: era dia de visita da avó. A mãe recomenda cuidados, mas há tanto o que ela mesma precisa arriscar para aprender, não é? O livro nomeia sentimentos de uma fase da vida da mulher em que já podemos a ensinar que os riscos e a desobediência têm várias perspectivas.
Gislene, Camila e Carol: “Para mães de adolescentes conversarem com suas filhas sobre a transição para uma nova etapa da vida.”
Quando você sai (Pequena Zahar, 2024), de Gastón Hauviller, tradução de Ana Tavares

Neste livro ilustrado, o autor argentino usa o cruzamento de texto, imagem e design para que o leitor/a não resista a se identificar com uma certa angústia infantil: quando mamãe sai de casa, como é que eu fico? O texto, com certo humor, vai revelando a cada virar de página as saídas que as crianças encontram para a ausência comum.
Patrícia: “Para mães que nem sempre conseguem ser presença.”
Jéssica: “Um livro para mamães que vão, mas sempre voltam.”
Terra (Cia das Letrinhas, 2024), de Carol Fernandes e Yuri de Francco

Uma menina narra com saudades a presença da avó que nunca sai de suas memórias. Neste comovente livro, realidades e metáforas se misturam entre a poética do texto e da imagem, que se casam para nos causar ternura e valorização das costumes e aprendizados que nos constituem.
Gislene, Camila e Carolina: “Para mulheres que se tornarão mães, pois a ancestralidade é a chave que abre as portas das nossas raízes.”
Amanhã (Pequena Zahar, 2022), de Lúcia Hiratsuka

Três meninas, três gerações em três partes de um livro: a obra da autora paulistana desenha um recorte do Brasil que se une ao Japão para sempre. No enredo, afeto e contexto na trajetória de três meninas que lutam pelo direito à escola, à infância, a uma vida em busca de aprender.
Gislene, Camila e Carolina: “Para as mães e avós que desejam contar sobre suas infâncias para os filhos/netos e criar memórias”.
Patrícia: “Para mães que honram a ancestralidade e sentem que o amanhã pertence ao esperançar.”
A rainha da torre (Cia das Letrinhas, 2025), de Kari de La Vega e Fatima Ordinola, tradução de Lívia Deorsola

O livro abre com uma imensa parede de tijolos em azul e branco: é a torre em que a mãe da narradora menina mora. Mas por que ela vive lá, às vezes tão distante? Um medo cerca tudo por ali, enquanto mãe e filha tentam – sem desistir - reconstruir suas relações.
Gislene, Camila e Carolina: “Para mães que estão passando por momentos difíceis, mas não estão sozinhas!”
Lá e aqui (Pequena Zahar, 2015), de Carolina Moreyra e Odilon Moraes

As questões da separação são mais dos filhos ou dos pais? Quem decide, quem sofre, quem fica, quem vai. Neste clássico sobre o tema, os autores fazem literatura em texto, imagem e design com a perspectiva de um menino diante da grande mudança que sua família vive. Com cuidado e afeto, o livro sugere um depois esperançoso, sem fazer concessão ao conflito que precede a transformação.
Patrícia: “Para mães que partilham filhos com pais, em casas separadas.”

Nem tudo é o que parece netse livros repleto de pequenos recados para grandes transformações. Na história, três lobas se veem fazendo tudo que outros querem sem nem mesmo lembrarem como é que foram parar ali, num picadeiro de um circo, à mercê de aplausos de desconhecidos. Uma metáfora dos desafios de ser mulher na contemporaneidade.
Bruna: “Eu indicaria para todas as mães que fazem contorcionismo sem deixar os pratinhos cairem. À custa de que esses pratinhos não caem?”
Antes que eu me esqueça (Pequena Zahar, 2026), de Victor D. O. Santos e Anna Forlati

Neste livro, a rotina dos sábados faz uma menina refletir sobre muita coisa: é dia da menina acompanhar o pai à visita à avó, que mora em um lugar diferente. Há sábados que ela não quer ir. Até que, um dia, ela encontra uma carta de uma avó, de uma mãe, que só o pai dela conheceu.
Jessica: “Para mamães que perderam a memória, mas guardaram os afetos no coração.”
A árvore generosa (Companhia das Letrinhas, 2017), de Shel Silverstein

Neste que é um dos livros ilustrados mais famosos do mundo, o autor estadunidense narra a relação de menino com uma árvore que tudo dá. Será que ela não se cansa? Será que esse amor dura para sempre? E o menino, o que ele faz e que ele pode fazer por ela? Um livro sobre limites e crescimento.
Gisele: “Quando leio A árvore generosa me identifico com a vontade/necessidade de ser o porto seguro do Benjamin. De estar firme, presente para o que ele precisar e ele saber que pode contar comigo em todos os momentos. Deixá-lo livre para escolher o caminho dele, sabendo que sempre vai ter para onde/quem voltar.”
Feliz Dia das Mães!
(texto Cristiane Rogerio)