Histórias para encher a barriga
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"Uma brincadeira poética" é como Rodrigo Ciríaco define os saraus, encontros que realiza há 11 anos em escolas de diversas regiões periféricas de São Paulo. O escritor, educador e mediador de leitura também estuda e escreve sobre o assunto: desenvolve há dois anos o que chama de pedagogia do sarau, buscando entender os efeitos da prática no desenvolvimento das crianças. Promete que as reflexões virarão livro com dicas para professores que queiram adotar a prática.
Ele explica que, dentro ou fora das salas de aula, a descontração do momento importa. "É uma atividade muito completa, que trabalha questões importantes de uma forma lúdica e artística", diz Ciríaco, que organiza no mês de outubro o Sarauzim, como denomina os encontros que vão acontecer em escolas e unidades do Sesc.

Entre os benefícios que observa na pedagogia do sarau, destaca o desenvolvimento emocional das crianças e dos adolescentes. "[Eles] trabalham questões como medo, insegurança, timidez. E acabam aprendendo a falar em público." Além disso, todos aqueles que decidirem se apresentar são aplaudidos ao final, sem exceção. "É um instintivo que procuramos sempre dar. Acaba ajudando a autoestima e a identidade de todos que participam."
Esses momentos também são preciosos para quem busca um contato direto com a literatura. Isso porque os encontros dão um frescor ao dia a dia do ambiente escolar. "Quebram uma rotina massacrante que existe dentro da escola." Os professores aproveitam, inclusive, para trabalhar questões como o letramento, a leitura e a produção escrita.

Ele organiza esses eventos desde 2006, quando fundou o coletivo artístico Os Mesquiteiros, voltado aos adolescentes. Foi há apenas três anos que decidiu criar o Sarauzim, que acontece sempre em espaços educativos, em geral nas escolas de regiões periféricas da cidade, e voltado em especial para as crianças. Tudo começou com um simples consentimento da coordenação de um CEU na zona sul da cidade. Isso bastou para que os alunos e o professor tomassem gosto pelas brincadeiras de trava-línguas, pelos versos e pelas cantigas.
Os encontros são marcados por textos previamente selecionados, de autores como Elias José, José Paulo Paes e Sérgio Capparelli, além das intervenções criadas coletivamente com as canções típicas da infância. Também são trazidos figurinos e cenários específicos. E um palco é construído especialmente para o evento. “Cada criança pode ser valorizada na sua individualidade, com o encanto do palco e do microfone. Como regras, apenas o respeito ao espaço de cada um e a diversão", ressalta.

O educador evita a prática dos slams, as conhecidas "batalhas de poesia” com as crianças, que traria um clima de rivalidade entre os participantes tão jovens. Nos saraus, a regra é a cooperação. Ele busca que o espaço seja livre para todos, sem a imposição de que a criança tenha alguma propensão para a arte, apesar de todas as potencialidades que acaba encontrando pelo caminho. "A criança é espontânea, se joga muito em tudo o que faz. Não tem limites para a imaginação, a fantasia, a fabulação."
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