5 razões para explicar por que o Grúfalo é um sucesso

14/09/2026


O que é, o que é: tem presas incríveis, garras terríveis e em sua boca, dentes horríveis?

Tem pernas ossudas, patas peludas e, na ponta do nariz, uma verruga cabeluda?

Tem olhos alaranjados, uma língua preta e espinhos pelas costas espetados?

Bom, se você está aqui neste blog dedicado à literatura para as infâncias, provavelmente desvendou o enigma sem titubear: é CLARO que estamos falando do Grúfalo. Um monstro improvável criado pelos ingleses Julia Donaldson e Axel Scheffler que se tornou um personagem icônico e muito muito querido por crianças e adultos no mundo todo.

A vovó Grufalo

Cena de A vovó Grúfalo (Brinque-Book, 2026), que acaba de chegar às livrarias em todo o mundo

 

No novo - e aguardado! - livro da série do Grúfalo, ele não aparece sozinho, mas em família. Em A vovó Grúfalo (Brinque-Book, 2026), a matriarca faz uma visita à floresta escura. E para um evento tão importante, nada mais justo do que preparar uma receita especial para recebê-la. E adivinha só qual vai ser o ingrediente especial? Ra-ti-nho!

O Grúfalo (Brinque-Book, 2021) se tornou um fenômeno mundial assim que foi lançado, em 1999. Desde então, este primeiro livro e outras obras relacionadas venderam, juntos, mais de 18,2 milhões de cópias mundo afora. Após o lançamento, a Brinque-Book rapidamente trouxe para o Brasil a história do ratinho que foi passear pela floresta escura e, pelo caminho, foi espantando seus predadores com muita astúcia. Lá se vão  mais de 25 anos e, até hoje, O Grúfalo tem lugar praticamente cativo entre as obras mais vendidas dos nossos selos infantis. Assim como O filho do Grúfalo (Brinque-Book, 2006), que mostra a criança Grúfalo que decide se aventurar pela floresta duvidando da existência do tal ratinho terrível de que o pai tanto falava…

Tradutora de todos os livros da série, Gilda Aquino conta que recebe elogios de famílias e professores que adoram o Grúfalo. “Os livros são um sucesso mundial desde o primeiro, devido ao personagem principal ser um animal que ninguém jamais viu e com características que toda criança gosta - meio apavorante. As crianças em geral adoram monstros, bruxas, lobos, fantasmas… Também o fato do ratinho ser mais esperto do que o Grúfalo, grande e feio, porém simpático”, comenta.

Capa de A vovó Grúfalo

 

E se você acha que o Grúfalo faz sucesso por aqui, não tem ideia da fama que o monstrengo alcançou do outro lado do oceano. Animações produzidas pela BBC - The Gruffalo e The Gruffalo’s Child  -  uma área temática no Twycross Zoo, em Leicestershire (Inglaterra), trilhas em florestas espalhadas pelo Reino Unido com esculturas gigantes do Grúfalo, além de pelúcias, fantasias,  jogos, festas de aniversário… No dia oficial do lançamento mundial de A vovó Grúfalo, 10 de setembro, a livraria Waterstones Piccadilly, entre as mais importantes do Reino Unido, organizou um grande evento ao qual os autores compareceram e que movimentou as redes sociais.

 

Grufalo no bsoque

As trilhas em florestas com esculturas dos personages dos livros (Fonte: 

 

Além de O Grúfalo, a dupla Julia Donaldson e Axel Scheffler  também publicou pelos nossos selos infantis: Macaco danado (1999), Apertada e sem espaço (Brinque-Book, 2012), O gigante mais elegante da cidade (2018), Carona na vassoura (2021), O caracol e a baleia (Brinque-Book, 2019), O livro preferido de um garoto sabido (2023), entre outros.

Mas o que explica tanto sucesso? Pensamos em alguns fatores que podem ter ajudado o Grúfalo a alcançar o status de celebridade. Confira:


Inteligência vence a força

O ratinho não tinha garras. Nem bico pontudo. Nem presas venenosas. Mas ele era astuto. E essa astúcia fez com que levasse os bichos que queriam comê-lo no papo e o tornaram o grande herói da história - assim como o ratinho que salva o leão na célebre fábula escrita por Esopo. Aliás, será que dá para considerar O Grúfalo quase como uma fábula contemporânea?


As repetições que as crianças amam

O enredo se repete cada vez que o ratinho dá de cara com um predador enquanto passeia pela floresta escura. Os bichos tentam convencê-lo a virar comida, mas o ratinho vai driblando todos eles com esperteza, criando repetições textuais em um ritmo cadenciado, do jeito que as crianças gostam. Esse formato, além de trazer certa previsibilidade, ajuda na fluidez da leitura, e deixa as crianças mais à vontade para reparar em outros detalhes, como explicamos nesta matéria


Habemus plotwist

Quando o ratinho começa a descrever a criatura terrível que promete devorar seus predadores, parece pouco provável que ela exista de verdade… Será que a cobra, a raposa e a coruja não sabem que o Grúfalo não existe?, diz o próprio ratinho. Mas aí, algumas páginas depois, quem aparece? Ele mesmo: o Grúfalo. Plotwists são justamente essas reviravoltas que surpreendem o leitor e o prendem à narrariva, criando aquela expectativa de: e agora? O que vem depois?


Vilões também têm medo

A essa altura, não é mais spoiler contar que no final, quem se dá mal é o Grúfalo. Já que, apesar das garras e dentes e chifres e outros artifícios assustadores, é ele quem foge do ratinho… E o que pode ser mais interessante do que esse vilão que mostra suas fraquezas e, no final, termina como um personagem querido? O Grúfalo é um deles. E nesta matéria falamos sobre outros mais. 


A imaginação é sempre a arma mais poderosa

Talvez a grande magia das histórias seja o triunfo pela imaginação. No primeiro livro, o ratinho primeiro imaginou o Grúfalo. No segundo, ele é que quem se imagina monstro e terrível para escapar da criança Grúfalo. Imaginar é o primeiro passo para existir. Os livros do Grúfalo são sobre isso.

É por isso que, hoje, o Grùfalo existe mesmo, para milhares de crianças a adultos pelo mundo todo. 

 

(Texto: Naíma Saleh)

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