Do premiado autor de Nove noites. Um e-mail recebido imprevistamente abre as portas para a memória de episódios de violência, vergonha, racismo e exclusão. Um pesadelo que opõe questões de identidade a uma versão mais traiçoeira de nossas próprias histórias.
Ao receber uma mensagem de uma antiga amiga de colégio, pedindo que o narrador deste romance escreva o libreto de uma ópera na qual ela está trabalhando, uma fenda parece surgir no presente, trazendo à tona um acontecimento traumático do passado.
No centro dele está Dulce, uma colega de ambos. A partir daí, o livro se desdobra como uma investigação obsessiva -- não apenas sobre o que de fato ocorreu, mas sobre as formas pelas quais contamos e deformamos nossas próprias memórias.
Esse reencontro inesperado -- mediado pela persistente sombra dos "exilados da alma" Alfred Kubin e Oswaldo Goeldi -- reabre feridas e conecta o passado a uma intrincada rede de histórias que atravessam tempos e geografias. Pesadelo dentro do pesadelo, no qual memória e invenção se tensionam continuamente, e reflexão poderosa sobre herança e pertencimento -- mas também sobre os limites da linguagem e sobre tudo aquilo que permanece irredutível à explicação --, Xilocosmos é ele mesmo uma pergunta que paira sobre as imposturas e inversões da "alucinação coletiva à qual estamos mais ou menos sujeitos em diferentes momentos da história, acreditando que lutamos contra a opressão, pela liberdade, pelo outro, e no fundo lutando pelo mesmo, pelo que já conhecemos".