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/ À vistaDo autor de Extinção e O náufrago, este é um relato sobre dois homens singulares que, em meio à adversidade, encontraram um no outro um possível antídoto para a desesperança e para a consciência da própria mortalidade.
Viena, 1967. Em alas separadas de um mesmo hospital, dois homens jazem acamados. O narrador, Thomas Bernhard, sofre de uma doença pulmonar; Paul, sobrinho do célebre filósofo Ludwig Wittgenstein, enfrenta mais uma de suas crises emocionais. A coincidência do encontro era motivo de esperança para Bernhard: "Sabia que, desde muitos anos, meu amigo passava várias semanas ou vários meses em Steinhof e que sempre tornava a sair, razão pela qual pensei que também eu sairia, embora não fosse possível compará-lo a mim em nenhum aspecto".
A amizade começara anos antes, graças à paixão comum pela música: Paul Wittgenstein demonstrava conhecimento excepcional de Mozart e Schumann e era fanático por ópera, o que despertou de imediato a admiração de Bernhard. Mas a excentricidade de Paul superava os interesses pessoais. Herdeiro de uma das famílias mais abastadas da Áustria, distribuía sua fortuna livremente entre amigos e pobres, até ele próprio acabar na miséria.
Mistura de memória e ficção, O sobrinho de Wittgenstein reflete sobre a luta do artista para preservar seu ponto de apoio em um mundo irremediavelmente desgovernado, além de se erguer como uma impressionante elegia a uma amizade real.