Por que os brinquedos não estruturados fazem tanto sucesso?
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Canos de PVC, pedaços de madeira e corda de nylon, entre outros materiais: tudo vira brinquedo nas mãos do cenógrafo e dramaturgo Djair Guilherme, um inventor de muitas tranquitanas em seu quintal-oficina. Na casa do artista, pais e filhos são inventores de suas próprias brincadeiras – pura inspiração para muitas outras famílias.
É na oficina, junto ao jardim dos fundos da casa, que os brinquedos ganham forma e graça – baleias e elefantes nascem de pedaços de PVC, caminhões são feitos com latas e outros cacarecos, arco e flecha surgem de restos de madeira. A brincadeira se espalha pela casa toda e, assim, apetrechos da cozinha se transformam em divertidas luminárias.

Esses e outros brinquedos são a diversão dos filhos Pedro, Gabriel e Chico, além de diversos parentes e amigos. Nessa mania de criar brinquedos, o inventor resgata a tradição que precede a fabricação em massa da Revolução Industrial, em que cada objeto que se torna brincante carrega uma história bem particular.

Os brinquedos não são para venda, o prazer está na brincadeira de criar. “O que me interessa é que as pessoas tenham vontade de fazer brinquedos, que elas percebam o quanto é legal você pegar um sábado, um domingo com seus filhos, sentar no quintal e dizer: ‘Vamos fazer um negócio aqui’.”
Motivado por esse desejo de estimular que as famílias tenham momentos de criação em conjunto, nasceu a ideia do Nicolau dos Brinquedos, espaço no qual compartilha técnicas e brinquedos para inspirar as pessoas a colocarem a mão na massa.
O nome Nicolau vem de uma peça escrita por Djair e tem referências vinculadas às invenções, como o cientista Nikola Tesla, o lendário São Nicolau, o Papai Noel fabricante de brinquedos, e também num livro que marcou a sua infância – Nicolau tinha uma ideia, de Ruth Rocha.

No quintal-oficina, o ritmo de criação é regrado pela vontade, o que também vale para os meninos. Sempre começam a brincadeira pesquisando métodos de construção e testando materiais diversos. “Eles ficam iguais a passarinhos, ficam um pouco aqui fazendo, depois vão fazer outras coisas, então voltam”, conta o inventor.
Por exemplo, Pedro está montando com o pai uma maquete do que seria a casa dos sonhos, com direito a piscina em formato de piano. Já a principal brincadeira da família é uma pista de bolinha de gude com rampinha, que vem evoluindo em complexidade.
Essa mania de invenção vem da infância, quando Djair se interessava em saber o que é que tinha dentro de seus brinquedos e ainda se virava para consertar os quebrados. Quando fazia isso, ouvia “Isso é coisa do seu avô”. Manuel Guilherme, o avô paraibano, também gostava de inventar. “Ele tinha uma coisa chamada engenhoca – uma maquete em que você gira uma manivela e os personagens vão se mexendo.”
Também ouviu muito dizer que seu pai, Djair Guilherme, quando jovem, fez uma bicicleta de madeira. Mas isso foi antes do pai de Djair conviver com o avô, o que só aconteceu a partir dos 13 anos. “Mesmo distante do pai, ele demonstrava apreço pela criação de coisas”, fato que intriga o cenógrafo sobre as bagagens genéticas. Tal pai, tal filho.

(Texto atualizado em 15/8/2022)
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