O fio e os rastros, por Diogo Bercito
Diogo Bercito compartilha suas pesquisas e o contato com a natureza que marca "A solidão das aranhas".

Por Guilherme Gontijo Flores e Daniel Kondo
Coestelário é uma homenagem contínua a algumas das grandes perdas que tivemos em 2020. Neste ano vão-se muitos mundos de uma vez, que nos cabe memorar. Seria talvez função da Secretaria da Cultura, nem que fosse mera formalidade, dar vulto aos nomes que se vão, homenageá-los ao menos; porém, neste delírio que chamamos de governo, o silêncio da morte é engolido pelo estardalhaço da brutalidade, do horror, do desprezo com tudo que seja alheio.
Coestelário apresenta túmulos em poesia visual, ao modo das antigas estelas funerárias, que a um só tempo davam voz e imagem à pessoa querida e partida. É uma série de estelas, em que o epigrama funerário se funde à imagem, num jogo de constelações que olhamos daqui, enclausurados para que os nomes não aumentem.
É assim, como um coestelário em movimento, inacabado, condenado ao incompleto, como um gesto de agradecimento pelas vidas que pudemos viver graças a tanta gente, que apresentaremos de agora em diante cada estela. Esperamos que elas sirvam como um mote para conversas, recordações, depoimentos, continuidades.
Aqui será a dolorida vida que há nos funerais.
Estamos vivos e os trazemos em nós.
Confira a lista de homenageados:
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