Uma coleção de obsessões: como surgiu "A linguagem dos desastres", por Fabiane Guimarães
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Neste ano a Companhia das Letras celebra quatro décadas de uma trajetória que ajudou a transformar o cenário editorial brasileiro. Fundada em 1986 por Luiz Schwarcz e Lilia M. Schwarcz, a editora nasceu com propósito de publicar livros que ampliassem o repertório cultural do país, reunindo literatura e ciências humanas. Um de seus primeiros títulos, Rumo à estação Finlândia, de Edmund Wilson, logo despontou como best-seller. Sempre atenta à qualidade do texto, das traduções, do projeto gráfico e do acabamento em todas as etapas do processo de edição, em seu primeiro ano de vida a editora já contava com 54 livros publicados.
Quarenta anos depois, são 21 selos dedicados aos mais variados segmentos, mais de 9.000 títulos em catálogo e uma média de 400 lançamentos ao ano. Ao longo de sua trajetória, a Companhia das Letras também expandiu sua atuação por meio de parcerias e integrações com outras casas editoriais. Em 2009, a Companhia se associou à Penguin para lançar uma coleção de clássicos no Brasil. A parceria que se aprofundou em 2011, quando o grupo britânico adquiriu 45% da editora e, posteriormente, passou a integrar a Penguin Random House, o maior grupo editorial do mundo.
Em 2015, a Companhia se uniu à editora Objetiva e, em 2019, ampliou o grupo com a chegada da Zahar, referência nas áreas de ciências humanas e sociais. Para consolidar sua presença na literatura infantil e juvenil, integrou a Brinque-Book, em 2020, e, mais recentemente, em 2022, expandiu sua atuação no segmento de mangás e na difusão da cultura japonesa no Brasil com a chegada da JBC.
Ao longo das décadas, a Companhia das Letras se tornou referência na publicação de autores fundamentais, de clássicos modernos a vozes contemporâneas, e desempenhou um papel decisivo na formação de leitores e no fortalecimento do debate público no Brasil. Sem abrir mão da curadoria cuidadosa que marca sua identidade, a Companhia acompanhou as transformações do mercado e da sociedade, mantendo o compromisso com a qualidade e a diversidade de seu catálogo.
Para celebrar essa história, um calendário de atividades vai acontecer ao longo de 2026, em todo o país. Com a campanha livro é companhia, a editora apresenta a identidade dos seus 40 anos, que parte de uma ideia central: explorar os múltiplos sentidos da palavra “companhia”, como experiência de leitura, presença e marca. Como parte desse movimento, a editora também atualiza seus elementos de identidade, com a repaginação dos veículos que compõem sua logomarca, desenvolvida por Alceu Chiesorin Nunes em parceria com o Foresti Design, e lança um selo comemorativo de 40 anos, que passa a acompanhar todas as publicações de 2026.
Já as comemorações começam em abril, com a participação da editora na Bienal do Livro da Bahia, com dois encontros especiais: uma edição ao vivo da Rádio Companhia, que será um bate-papo entre Socorro Acioli e a editora Stéphanie Roque, sobre a relação entre a trajetória da autora e a história da editora. Pilar del Río, jornalista e presidenta da Fundação José Saramago, responsável pela preservação e difusão do legado do autor, também estará na Bienal e depois seguirá para São Paulo para um encontro com Luiz Schwarcz, no Sesc Consolação, no dia 22. Saramago e o Brasil: amizade e legado, será uma homenagem à relação do escritor português com o país e terá leituras com o ator Marcos Oli.
Em maio, a programação viaja para o Rio de Janeiro com o festival livro é companhia no rio, no Museu do Amanhã. Realizado no dia 16 (sábado), o evento ocupa o espaço ao longo de todo o dia, com três mesas dedicadas a diferentes formas de pensar o presente e o futuro, com Emicida, Gregorio Duvivier e Tamara Klink. Um encontro que vai apontar para os próximos 40 anos da editora ao reafirmar seu compromisso com a formação de novos leitores e com a construção de um diálogo vivo com o mundo contemporâneo. No mesmo mês acontece a Feira do Livro da Rocha, em São Paulo. O evento totalmente aberto ao público e gratuito terá uma mesa com Lilia M. Schwarcz, professora titular no Departamento de Antropologia da USP e Global Scholar na Universidade de Princeton.
Entre 30 de maio e 7 de junho, a editora estará n’A Feira do Livro de São Paulo, com uma mesa especial dedicada aos 40 anos, com a participação da escritora Pilar Quintana, que chega este ano à Companhia e é uma das vozes mais marcantes da literatura latino-americana contemporânea. Vai ser um encontro para celebrar a força e a projeção das mulheres latinas no cenário literário atual.
No segundo semestre, as celebrações se intensificam. Em julho, entre os dias 22 e 26, a editora terá forte presença institucional na 24ª Flip. Entre os autores confirmados já anunciados estão Andréa del Fuego e Andrea Bajani. A Casa Companhia das Letras será um espaço para convivência com uma programação especial que receberá autores e convidados, além de venda de produtos exclusivos e lançamento de novos conteúdos.
Logo após a Flip, em agosto, a casa segue para Salvador. Entre os dias 05 e 09, a editora participa pela primeira vez da Flipelô, com um espaço próprio e uma programação dedicada, ampliando o alcance das comemorações e fortalecendo a presença no Nordeste.
Em setembro, o festival livro é companhia em sp acontecerá no Cultura Artística. A programação já conta com a presença do francês Emmanuel Carrère, de Lilia M. Schwarcz e Ailton Krenak, entre outros nomes que em breve serão divulgados.
Novas atividades ainda vão entrar na programação e ampliar as celebrações dos 40 anos. Em mais um ano, a Companhia reafirma seu compromisso com a formação de leitores, o pensamento crítico e a bibliodiversidade com uma programação que convida ao encontro e à reflexão. Mais do que marcar uma trajetória, a Companhia olha para o futuro e renova sua missão de publicar livros que ajudam a compreender o mundo e a transformá-lo.
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