Folclore brasileiro: lendas menos conhecidas para descobrir e contar
Nosso folclore não vive só de Saci e Iara, mas de inúmeros personagens, lendas e histórias que podem ser encontrados em diversos livros infantis
Para não cair de vez no esquecimento, Curupira, Saci e Iara, entre outras criaturas da mata, migram para a cidade em busca de fama. E não é que encontraram por lá reconhecimento? A peça teatral Quem tem medo de Curupira?, escrita pelo compositor e cantor maranhense Zeca Baleiro, acaba de vencer a categoria de literatura infantojuvenil da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).
O livro faz parte da coleção Fora de cena, organizada pela jornalista e crítica de teatro Gabriela Romeu e com ilustrações de Raul Aguiar. Dramaturgos de destaque da cena teatral contemporânea integram a coleção: Terremota, de Marcelo Romagnoli, Tesouro de Balacobaco, Cláudia Vasconcellos, e O bobo do rei, de Angelo Brandini, este premiado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNILIJ).

Escrito em 1988, quando o músico tinha 22 anos, Quem tem medo de Curupira? mistura o pop e o popular, o rural e o urbano. Nas canções de Zeca Baleiro, cheias de puro sincretismo, o quinteto de criaturas da cultura popular encontra Jason, Alien e Jack Estripador.
Leia a seguir um bate-papo em que o autor fala de sua criação. Como foi feito especialmente para o livro, as respostas do compositor têm uma abordagem voltada ao público infantil.
Crescemos lendo (ou ouvindo) as histórias dos encantados das matas e das águas do Brasil profundo. Como essas histórias permearam seu tempo de menino?
?Zeca Baleiro — Minha infância foi povoada de muitas histórias cheias de fantasia. Vivi até os oito anos em Arari, cidade da baixada maranhense, para onde continuei a voltar nas férias escolares até a adolescência, já morando na capital São Luís. Logo, meu imaginário de criança é todo interiorano: histórias de assombração, contos de fada reinventados, comédias de circos mambembes, casos de ciganos que roubavam crianças, famílias que faziam pacto com o diabo, aparição de “almas” etc.
Seu texto traz uma sinfonia de vozes e as variações de tons dos personagens durante a saga floresta-cidade- floresta. O que é música e o que é texto? Faz diferença?
Zeca Baleiro — Faz diferença, sim, mas acho que pouca. Aqui a música é mais um recurso narrativo (e fantasioso). Não tem a importância que tem num musical da Broadway, por exemplo. A música aqui é ilustrativa. E não precisa ser um supercantor para cantá-la.
Godzilla, Jack Estripador, Franksteis, Jason... O imaginário folclórico, televisivo e literário se misturam na canção Nós somos monstros. O que é pop? E o que é popular?
Zeca Baleiro — Pop é tudo que nasce com a indústria cultural: o rock, a TV, a publicidade, a Coca-Cola, Elvis Presley, Chacrinha. O popular é o que sai do imaginário do povo (ou o que é feito sob medida para esse mesmo imaginário). O pop pode (e deve) ser popular. E o popular às vezes ganha status de pop, embora seja uma via mais difícil. Fui claro? (risos)
São tantos os jeitos de fazer musical, qual é a sua escola?
Zeca Baleiro — Gosto de crer que o musical brasileiro deriva da opereta, da ópera-bufa, do vaudeville. O musical genuinamente brasileiro começa com o teatro de revista, que depois passa a ter um similar cinematográfico, que é a chanchada. Adoro chanchadas. Se tivesse que “nomear” este espetáculo, diria que é uma chanchada infantojuvenil.
Algumas senhas ou pistas para um grupo montar um espetáculo com o texto Quem tem medo de curupira?
Zeca Baleiro — Senha alguma (risos). Liberdade total. Adoraria que muitos grupos encenassem este texto Brasil afora, das mais variadas formas.
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Quer conhecer um pouco do texto e das músicas de Quem tem medo de curupira? Confira no vídeo abaixo trechos do premiado espetáculo que foi dirigido por Débora Dubois.
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