Dia das Mães? Confira dicas das livreiras para celebrar a data
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Persistência, resistência, cooperação e articulação. Essas são algumas palavras-chave para quem atua em prol da leitura no Brasil, segundo Christine Fontelles, que tratará do tema em encontro de abertura da Biblioteca Infantil e Juvenil Quindim, em Caxias do Sul (RS). Idealizadora do Programa Ler é preciso e da campanha Eu quero minha biblioteca, conselheira do Movimento por um Brasil Literário e do conselho curador da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), ela estará I Panorama sobre Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas no Brasil: Onde estamos e para onde vamos?, que acontece a partir de hoje, 30/11, até 2/12.

“Complexas podem ser as estratégias de composição de forças, mas simples, muito simples é a razão pela qual são constituídas: a gente leva a ler, lendo, sem mais. Porque a gente só aprende a ler e a gostar de ler, lendo”, afirma. É dessa forma que a Quindim, assim como tantas outras bibliotecas do país, colabora para a formação de leitores. A partir desse fim de semana, o novo espaço nacional dedicado à literatura contará com acervo e atendimento “pensados com primor para criar encontros memoráveis entre livros, leitores e leituras”, explica.
O novo espaço de leitura é iniciativa do Instituto de Leitura Quindim, fundado por Volnei Canonica em 2014, “em prol da infância, da educação, da leitura e da cultura”. Para ampliar suas ações e finalizar a estrutura da biblioteca, está aberto um financiamento coletivo até o fim do ano.
Além de promoverem encontros entre livros e leituras, as bibliotecas são os únicos espaços que garantem acesso gratuito ao livro. Esse contato fica ainda mais rico quando há “práticas de leitura dirigidas e diversificadas, planejadas e realizadas por bibliotecários e profissionais”, defende Christine. “A boa biblioreca é aquela que atende e surpreende seu público com oferta de leituras igualmente variáveis e reveladoras, que coloca à sua disposição todos os recursos que permitam que seus usuários desenvolvam uma leitura de mundo apurada, sensível e inovadora, que contribua para que aprendam a aprender num mundo em permanente transformação.”

A participação civil é fundamental na reivindicação por mais espaços que promovam a formação de leitores. “Na minha experiência de quase 20 anos em articulação entorno da causa da leitura e da escrita, sempre vi Brasil adentro o envolvimento da sociedade civil com organização e empréstimo de livros, que pouco a pouco foi se fortalecendo em arranjos mais focados em garantia de politicas públicas”, conta.
“Mas é preciso ainda muito mais, é preciso maior apropriação de informações e construção de agendas sistêmicas e sistemáticas com gestores públicos e parlamentares para viabilizar políticas públicas e bibliotecas à mão cheia, em todas as escolas, em todos os bairros, cidades, estados”, defende. É preciso trazer a noção de sustentabilidade na implementação das bibliotecas públicas, para que não haja retrocessos quando se trata do direito pleno à educação integral, à arte e à literatura.
Como ela mesma diz, “agregamos mais anos à vida, mas ainda falta muito para agregar mais vida aos anos, digna e de qualidade para todos(as)”. Conclui: “Há uma força e beleza enormes em ser parte de uma resistência histórica para que a literatura seja parte integrante do dia a dia de crianças, jovens e adultos. Até porque o que pretendemos ao defender literatura, leituras e bibliotecas é oportunizar experiências que nos aproximem cada vez mais de nossa humanidade comum”.


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