Não-leitores são maioria no Brasil pela primeira vez
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Ler é bom. Mas poder refletir, discutir e construir coletivamente novas camadas de sentido às leituras é ainda melhor. Não é à toa que os Clubes de Leitura têm conquistado tantos novos adeptos no Brasil. Estratégia de países anglófonos para incentivar e fortalecer a leitura como prática, os Clubes de Livros vêm de longe. Ainda na Grécia Antiga, homens - sobretudo aristocratas - já se reuniam em symposia para discutir filosofia, política e literatura. Bem mais tarde, na Europa do século 19, leituras públicas começaram a ser realizadas. E no Brasil modernista de Mário de Andrade, Portinari e Aníbal Machado, esses grandes nomes criaram o primeiro clube de assinatura, distribuindo poesias.
Para os educadores, que além do papel de leitores também se veem como mediadores das obras literárias trabalhadas em salas de aula, a participação em clubes de leitura pode ser também uma possibilidade interessante de formação. Foi pensando nisso que a Companhia das Letras criou o Clube Entre Livros e Leituras, uma iniciativa da Companhia na Educação que vai promover encontros literários entre educadores. Os primeiros encontros já têm data: dias 10 e 26 de fevereiro e acontecerão via Zoom - confira mais informações e os links de inscrição no final do texto.

“Todo projeto de Clube de Leitura parte do pressuposto de que a gente lê melhor junto”, conta Rafaela Deiab, editora de Educação da Companhia das Letras. “O livro literário tem uma forma artística que depende do leitor - em sentidos, nuances, forma, temática. Para estabilizar e ampliar interpretações, ler junto é sempre uma maneira de ler melhor”, completa. Mas não é só isso. Um clube de leitura pensado especificamente para educadores tem uma particularidade: a possibilidade de se tornar um local de formação não apenas de leitores, mas de mediadores. “É o que se chama de dupla conceitualização: ao mesmo tempo em que você participa do método, você também aprende a colocá-lo em prática”, explica a editora. Entre educadores, além de ampliar o repertório como leitores, é possível pensar como seria mediar a leitura trabalhada em sala, compartilhar relatos de como os leitores recepcionaram ou interpretaram as obras e pensar em novas abordagens de forma coletiva.
A mediação tem um papel fundamental na formação de novos leitores dentro da escola. O mediador não apenas apresenta as obras e abre possibilidades de reflexão, mas é uma espécie de guardião das discussões, gerindo a alternância da palavra e garantindo que as reflexões se atenham ao livro. Também é preciso entender o que funciona, o que não funciona para cada livro, uma vez que as chaves de leitura mudam. “Por isso é que a dimensão do planejamento da mediação é algo tão necessário e que a gente quer desenvolver no Clube”, conta Rafaela. Para Cristiane Oliveira, uma das mediadoras convidadas para fazer parte do projeto, "ao compreender a leitura como experiência formativa, o clube contribui para a qualificação das práticas de mediação de leitura no contexto escolar, articulando teoria e prática e repercutindo diretamente na formação de leitores". Tanto Cristiane quanto Fabiana Côrtes, a outra mediadora do Clube, foram escolhidas também por sua experiência na mediação.
A professora Cristiane Oliveira é baiana, mas mora em Recife e tem experiência em Educação Infantil e Ensino Fundamental. Além de psicopedagoga, é mestranda em educação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde pequisa a mediação de leitura como estratégia para a formação de crianças leitoras no contexto da escola. E a educadora Fabiana Côrtes é contadora de história e se dedica à educação das relações étnico-raciais, com valorização da diversidade e formação de professores. É doutora em Pedagogia da Diversidade Sociocultural pela Universidade Complutense de Madrid (UCM) e em Cidadania Global pela Universidade Fernando Pessoa (UFP).
"As atividades serão organizadas a partir de uma mediação de leitura que privilegia o diálogo e a escuta atenta, promovendo discussões e propondo encaminhamentos que auxiliem os professores a refletirem sobre aspectos específicos das obras, com vistas à construção de saberes literários no momento da leitura com seus estudantes. Essa perspectiva se fundamenta nas contribuições de Cecília Bajour, especialmente em Ouvir nas entrelinhas: o valor da escuta nas práticas de leitura (Pulo do Gato) ao destacar a importância da escuta como elemento central nas práticas de leitura literária", explica Cristiane.
Nesta primeira reunião do Clube Entre Livros e Leituras, os autores das obras em foco também vão participar. Se interessou? Para se inscrever, basta acessar os links abaixo:
1º Clube Entre Livros e Leituras - Azul Haiti (Compania das Letrinhas, 2025), de Paty Wolff
10/2, às 19h
https://bit.ly/clube-leitura-azul-haiti
2º Clube Entre Livros e Leituras - A pele em flor (Alfaguara, 2025), de Vinícius Neves Mariano
26/2, às 19h
https://bit.ly/clube-leitura-a-pele-em-flor
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