'Implacáveis - como os inimigos se tornam amigos' faz refletir sobre aquilo que nos faz superar diferenças
Novo livro de Yuval Harari mostra como o comércio - e o lucro - impulsionam os deslocamentos de pessoas e são capazes de criar alianças
Para leitores a partir de 7 anos, que já estão alfabetizados e ensaiam leituras mais densas, passeando por livros organizados por capítulos, há três séries reunindo as obras mais vendidas: O Homem-Cão (Companhia das Letrinhas), de Dav Pilkey, Diário de Pilar (Pequena Zahar), de Flávia Lins e Silva e Joana Penna, e os dois primeiros volumes de Implacáveis, de Yuval Noah Harari. Mas por que será que esses livros fazem tanto sucesso? Conheça as histórias que eles trazem:

O Homem-Cão tem “a cabeça de um cão, o corpo de um homem e o coração de um herói”. O primeiro volume da série conta o nascimento - ou renascimento - desse personagem inusitado, que acontece quando o oficial da polícia Rocha e seu cachorro Greg sofrem um acidente. Fundir a cabeça do cão ao corpo do policial é a única salvação possível, criando um herói cheio de coragem, mas que bebe água da privada.
No segundo volume, O Homem-Cão desgovernado (Companhia das Letrinhas, 2018), o gato Pepê, foge da Prisão e está à toa pela cidade… No livro seguinte, O Homem-Cão: Um conto de dois gatinhos (Companhia das Letrinhas, 2018), o gato Pepê continua sem dar trégua ao nosso herói e resolve criar um clone dele mesmo para ser ser grande parceiro de crimes. Só que o plano não sai como esperado e ele acaba criando uma mini-versão de si mesmo bebê… o gato Pepezinho! Que no volume seguinte, O Homem-Cão e o supergatinho (Companhia das Letrinhas, 2019), se torna parceiro do Homem-Cão! Juntos, os dois precisam descobrir o paradeiro de uma grande atriz de cinema que de-sa-pa-re-ceu. Na aventura seguinte, O Homem-Cão: o senhor das pulgas (Companhia das Letrinhas, 2019), a parceria entre nosso herói e o gatinho Pepê continua. E a turma aumenta com o robô Formigão, o Chefe e o poodle Zuzu. Desta vez, eles vão precisar combater um bando de caras malvados que chegaram à cidade e, surpreendentemente, terão que se unir ao malvado gato Pepê. No sexto volume, O Homem-Cão: o confronto selvagem (Companhia das Letrinhas, 2020), nosso herói é injustamente culpado de um crime que não cometeu. E os malvados querem que todos acreditem, que na verdade, o Homem-Cão é o grande vilão… Mas no volume seguinte, O Homem-Cão: por quem as bolas rolam (Companhias das Letrinhas, 2020), nosso herói é encorajado pelos amigos a deixar para trás alguns hábitos nada bons… E o Homem-Cão, que antes era obcecado por bolas, passa a ter muito medo delas… De quebra, ele vira alvo de um novo - mas não tão novo vilão – e acaba sendo salvo por ninguém menos que que seu ex-arqui inimigo, o gato Pepê. No oitavo volume, O Homem-Cão: latiu (Companhia das Letrinhas, 2021), depois da “redenção” do gato Pepê, quem aparece para criar confusão é o pai dele. O avô malvado sequestra o próprio neto, Pepezinho, e o Homem-Cão e Pepê precisam unir forças outra vez. Em O Homem-Cão: imundície e castigo (Companhia das Letrinhas , 2020), o Homem-Cão é demitido do departamento de polícia e para continuar lutando contra injustiças, precisa de Homem-Gato, enquanto ainda enfrenta o terrível pai de Pepê. No volume 10, o último que aparece na lista dos 100 livros mais vendidos - mas que não é o último da série, que acaba de chegar ao seu 13º volume - o nosso herói está passando por uma fase daquelas. Em O Homem-Cão: mamãe dos ventos uivantes (Companhia das Letrinhas, 2022), o cão policial precisa ficar um tempo com o cone da vergonha depois de se machucar… E, enquanto isso, o gatinho Pepê precisa olhar para lembranças do passado que preferia esquecer.
Talvez, o grande mérito da série O Homem-Cão seja a capacidade de tratar de temas difíceis, como morte, bullying e abandono como leveza. Os livros mostram que não há nada que não possa ser apresentado para as crianças, desde que se considere a forma como fazê-lo.
Além disso, alguns livros trazem referências culturais interessantes, como obras clássicas. No terceiro volume da série: O Homem-Cão: Um conto de dois gatinhos, a história faz referência no título e na narrariva a Um conto de duas cidades, escrito em 1859 por Charles Dickens, brincando com um trocadilho com o título original - ‘A tale of two cities’ foi transformado pelo autor em ‘A tale of two kitties’ . Já O Homem-Cão: mamãe dos ventos uivantes é uma referência direta à grande obra de Emily Bronte, O Morro dos Ventos Uivantes.
É uma série que confia no potencial das crianças, que emociona, faz rir e apresenta personagens com um arco nada óbvio, indo muito além do bem e do mal.
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Esta série de não-ficção, escrita pelo mesmo autor dos fenômenos Sapiens (Companhia das Letras, 2020) e Nexus (Companhia das Letrinhas, 2024), resgata grandes acontecimentos do passado que explicam como chegamos até aqui. Essas linhas do tempo, apesar de muito informativas, são desenhadas com recursos ilustrativos e um texto leve, que cria diálogos inteligentes para explicar conceitos complexos.
No primeiro volume, Implacáveis - como nós conquistamos o mundo (Companhia das Letrinhas, 2022), voltamos de 10 a 12 mil anos no passado, quando os grupos de coletores-caçadores começaram a cultivar os próprios alimentos performando a Primeira Revolução Agrícola. Com a agricultura e a pecuária, vieram a concentração de terras, a exploração do trabalho, as pestes, as guerras e instaurou-se a lógica do lucro. Não bastava garantir a sobrevivência no agora: era preciso pensar no futuro, poupar, acumular. E essa nova dinâmica desenhou relações de poder baseadas em diversas opressões, esboçando as desigualdades que marcam nossa sociedade ainda hoje.
No segundo volume, Implacáveis - por que o mundo não é justo (Companhia das Letrinhas, 2024), também com ilustrações de Ricard Zaplana Ruiz e tradução de Laura Teixeira Motta, investigamos as origens dos poderosos. Como foi que o poder de decidir a vida de tantas pessoas se concentrou nas mãos de alguns? Entendendo melhor como as sociedades se organizaram, a partir de crenças, mitos e disputas de poder.

Pilar é uma menina aventureira. Por meio de sua rede mágica, ela viaja o mundo, sempre acompanhada de seu amigo Breno e do gatinho Samba - enquanto, é claro, vai anotando tudo em seu diário. Sua viagem para a Amazônia, em Diário de Pilar na Amazônia (Pequena Zahar, 2023), onde enfrentou perigos para proteger a floresta e fez vários amigos virou até filme. Em cada livro ela visita um país diferente. A primeira aventura foi registrada em Diário de Pilar na Grécia (Pequena Zahar, 2022), onde ela apresenta o fascinante mundo de deuses e heróis da mitologia. Em sua visita ao continente africano, em Diário de Pilar na África (Pequena Zahar, 2022), a menina conhece uma princesa iorubá, percorre as paisagens desenhadas pelo Rio Congo e até galopa pela savana montada em uma zebra! Já um pouco mais acima no continente, na terra dos faraós, assim que coloca os pés na areia, a menina fica cara a cara com ninguém menos que o próprio Tutancâmon, em Diário de Pilar no Egito (Pequena Zahar, 2022). Em Diário de Pilar na Índia (Pequena Zahar, 2022), entre aulas de yoga e meditação, Pilar se envolve na busca pelo irmão desaparecido de uma atriz de Bollywood e tem a chance de conhecer o Dalai Lama. Subindo para a China, em Diário de Pilar na China (Pequena Zahar, 2022), nossa aventureira percorre a grande muralha, navegam pelo rio Yangtzé e ainda salva um bebê panda das garras de um comerciante ilegal. E no Peru, o Diário de Pilar em Machu Picchu (Pequena Zahar, 2022) conta sobre a trajetória cheia de aventuras dos amigos pelo Vale Sagrado, onde eles conhecem as tradições e lendas da civilização inca.
Novo livro de Yuval Harari mostra como o comércio - e o lucro - impulsionam os deslocamentos de pessoas e são capazes de criar alianças
Em 15 de janeiro, estreia nos cinemas brasileiros a aventura da menina Pilar com direito a efeitos especiais, risadas, aventura e imagens deslumbrantes da Amazônia
O cativante personagem de Dav Pilkey chega aos cinemas e encanta fãs de todas as idades. Assim como na série de 11 livros, adaptação é divertida, mas também aborda temas profundos, como amizade e a busca pelo melhor que existe em cada um