'Diário de Pilar na Amazônia' estreia nas telonas

14/01/2026

Cena do filme Diário de Pilar na Amazônia

Cena do filme Diário de Pilar na Amazônia, que estreia nos cinemas em 15 de janeiro

 

Em outubro, quando a equipe da Pequena Zahar, selo infantil da Companhia das Letras, esteve na Sala São Paulo para a primeira exibição pública do filme Diário de Pilar na Amazônia, durante a Mostrinha de Cinema, o lugar estava lotado de crianças empolgadíssimas – muitas delas vestidas com calças listradas e jardineiras, assim como a protagonista, Pilar. E essa cena provavelmente vai se repetir nos próximos dias em muitos cantos do Brasil com a estreia do filme nos cinemas neste 15 de janeiro.

Dos livros escritos por Flávia Lins e Silva e ilustrados por Joana Penna para as telonas, Pilar, que viaja o mundo em sua rede mágica, prova que conseguiu cativar um público fiel. Mas nem precisa ser fã da protagonista ou ter lido os livros da série, que conta com nove títulos, para se encantar com o filme. Além da presença de um elenco de peso, que conta com atores conhecidos, como Marcelo Adnet, Nanda Costa e Babu Santana, e também de boas surpresas como a estreia da atriz Lina Flor Mac Niven como Pilar, a jornada da menina aventureira é um convite para se deslumbrar - e conhecer mais - sobre a Amazônia e suas tradições. A fotografia chama atenção, assim como os efeitos especiais. “Uma das coisas que eu mais gostei foi ver nas telonas uma das cenas mais icônicas da série: o teletransporte na rede mágica! Sei que a maior parte dos leitores deve ter muita curiosidade para saber como a rede funciona, e isso é mostrado no filme com muitos detalhes”, conta Leticia Amâncio, da equipe de Marketing da Companhia das Letras. 

 

Diário de Pilar na Amazônia

 

Além da estreia de Pilar nos cinemas, a série Diário de Pilar, voltará a ser exibida no Disney Channel a partir do dia 21 de janeiro.  Para falar sobre a estreia do filme, conversamos com a autora, Flávia Lins e Silva, que assina o roteiro do filme, junto com João Costa, e atuou como co-produtora. 

Assim como Pilar, Flávia sempre teve o desejo de sair e conhecer o mundo. “A rede que aparece na história era lugar de brincadeira meu e dos meus irmãos - era a nossa espaçonave”, contou a autora ao Blog Letrinhas. Quando tinha 18 anos, ela foi para a Europa trabalhar como babá e morou em diferentes países. Mais tarde, cada livro da série Diário de Pilar foi resultado de uma viagem. Com a estreia de Diário de Pilar na Amazônia nos cinemas, Flávia espera que os leitores e espectadores tenham a Amazônia como próximo destino: “o lugar mais importante do mundo!” como ela mesma lembra.


Confira a entrevista com Flávia Lins e Silva

 

Blog Letrinhas: Como foi esse processo de roteirizar uma história tão marcante como a jornada da Pilar na Amazônia? 

Flávia Lins e Silva: Primeiro eu sempre penso em como adaptar a história. Há algumas modificações que foram necessárias para o filme. Por exemplo, a série Diário de Pilar começa pela Grécia. E, no filme, a primeira viagem que Pilar faz é para a Amazônia. O avô dela ainda está vivo e a menina também encontra o gato Simba pela primeira vez. Mas são detalhes, no geral, o filme ficou muito fiel ao livro. 

É claro que há coisas que a gente sugere no roteiro, mas não sabe como vão ser realizadas. Como é que o gato Simba iria aparecer era um desafio, que teve uma solução ótima com recursos de computação gráfica. Há muitos efeitos especiais muito bem realizados pelo Claudio Peralta, que é da (produtora) Conspiração.


Blog Letrinhas: E como foi exercer o papel de roteirista e co-produtora ao mesmo tempo?

Flávia Lins e Silva:  É muito importante que haja essa conversa entre todos os mundos do filme. Conhecer as locações com toda a equipe foi muito importante. Com o Eduardo Vaisman (diretor), eu tenho uma parceria de 30 anos - fizemos o primeiro curta juntos em 1996. A gente se entende muito bem. E o Rodrigo Van Der Put (diretor) também é parceiro do Eduardo há muito tempo, eles têm uma sintonia muito forte. O roteiro eu assino junto com o João Costa.

Blog Letrinhas: E como foi filmar na Amazônia?

Flávia Lins e Silva: Fomos em busca dos cenários que são reais. Filmamos tudo no Pará e no Rio de Janeiro. Tivemos que escolher um período que tem um pouco menos de chuva. A fotografia é uma coisa lindíssima, e é assinada por Adrian Teijido, que também dirigiu a fotografia de Ainda estou aqui [filme que fez história no cinema brasileiro, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2025, sob a direção de Walter Salles].

Duda Vaisman, Flávia Lins e Silva e Rodrigo Van Der Put


Blog Letrinhas: Muitas crianças foram ver o filme vestidas como a Pilar. Como foi encontrar para o cinema um rosto para uma personagem tão icônica?

Flávia Lins e Silva: Foram muitos testes, muitas atrizes, até que chegou a Lina Flor e todo mundo falou na hora: é ela. Foi unânime. E ela está mesmo muito Pilarzinha! Eu estou muito contente com a atuação dos atores adultos e infantis. Estão todos excelentes e também tem muito mérito dos diretores.


Blog Letrinhas: Você já tinha adaptado Detetives do Prédio Azul (DPA) para a televisão. Você sente que o processo de roteirização teve algo em comum com essa adaptação de Pilar para o cinema?

Flávia Lins e Silva: Com DPA, eu quis que as crianças ficassem muito atentas às pistas, aos humanos, ao que é dito e ao que não é dito. Com a Pilar, eu queria que as crianças se abrissem para o diferente, para outras culturas, para conhecer.


Blog Letrinhas: E o que você queria que todo mundo conhecesse ou pelo menos soubesse sobre a Amazônia?

Flávia Lins e Silva: Que é o lugar mais importante do mundo! Tem o maior rio, o maior manancial, a maior floresta tropical. A primeira vez que eu fui para a Amazônia foi em 2004 ou 2005… no barco do [fotógrafo] Pedro Martinelli, descendo o Rio Solimões. Em 2010 voltei e escrevi Pilar quando desci o Rio Amazonas. Mais tarde visitei a Ilha de Marajó (no Pará) e depois o Acre. Agora eu espero que todos os leitores queiram conhecer a Amazônia também.


Blog Letrinhas: Alguns autores já falaram em entrevistas ao Blog Letrinhas que o gênero de aventura é algo importante, mas que tem se perdido. Como é escrever aventura com a Pilar?

Flávia Lins e Silva: Na literatura, principalmente na literatura infantil, esse conceito de home away home, que é o princípio da aventura, é muito importante. É a personagem que precisa sair de casa para viver suas próprias experiências. É assim em Alice no País das Maravilhas, em Peter Pan. Acredito que é um gênero muito importante, porque as crianças precisam viver suas próprias aventuras sozinhas, longe de casa, longe dos pais, para terem autonomia.


Blog Letrinhas: E como é ver a Pilar no cinema, vivendo tantas aventuras?

Flávia Lins e Silva: Choro até hoje, fico muito emocionada. Espero que as pessoas também se sintam tocadas pelo filmes e queiram saber mais sobre a Amazônia.

 

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