Em caso de turbulência: agarre-se ao livro mais próximo

14/08/2026


A literatura pode ser um refúgio da realidade. Uma possibilidade de se transportar para mundos fantásticos, de dar vida ao impossível, de encontrar alegria nas vidas emprestadas de tantos personagens. Mas os livros também podem ser fonte de esperança e abrigo para atravessar problemas bem reais. E todo mundo sabe bem que o mundo está cheio deles: lutos, separações, guerras, preconceitos, injustiça social, emergência climática. 


Separamos obras que nos ajudam a trocar a ansiedade e a tristeza por esperança. Que parecem agarrar nas nossas mãos durante as travessias mais difíceis e sussurrar ao nosso ouvido: "vai dar tudo certo".

Ilha tempestade (Pequena Zahar, 2026), de Brian Floca e Sydney Smith com tradução de Fabrício Valério

ilha tempestade

O céu carregado anuncia que lá fora uma tempestade se aproxima. Mas os irmãos querem ver o mar antes da chuva e decidem se aventurar. À medida em que eles caminham, juntos, a tensão vai aumentando. As árvores se sacodem, o céu escurece… Será que eles escaparão da tormenta? A fúria da natureza assusta. Mas a vontade e a segurança de atravessar juntos a tempestade são capazes de apaziguar o coração.


A pequena violinista (Companhia das Letrinhas, 2025), de  Jon Fosse e Øyvind Torseter com tradução de Guilherme da Silva Braga

A pequena violinista

Nesta jornada fabulesca com ares místicos, uma menina sai em busca de seu pai. Ela é uma pequena violinista que têm poderes mágicos. Quando coloca as mão sobre os olhos, ela tem visões do pai. Ao longo do caminho, esses vislumbres vão trazendo alívio e angústia. Ele está vivo. Mas não parece estar bem. Vários obstáculos vão aparecendo e para superá-los ela precisa fazer aquilo que sabe: tocar. Um livro que nos lembra que a resposta para atravessar as turbulências muitas vezes já está dentro de nós mesmos.


A rainha da torre (Companhia das Letrinhas, 2025), de Kari de la Vega e Fátima Ordinola com tradução de Livia Deorsola

A rainha da torre

Os livros são o único caminho para que uma menina recupere, ainda que momentaneamente, a conexão com a mãe, que vive presa em seus próprios medos. Para a filha, que narra o livro, é como se a mãe fosse a rainha de uma torre, isolada em seus próprios pensamentos. Só por meio das histórias e da imaginação é possível trazê-la de volta. Um livro que fala de esperança, da busca por caminhos e de saúde mental.


O menino com flores no cabelo (Pequena Zahar, 2023), de Jarvis, com tradução de Julia Bussius

O menino com flores no cabelo

Davi é um menino sensível e gentil, com a mesma delicadeza que as flores que enchem sua cabeça. Mas ele precisa lidar com a perda, quando suas pétalas subitamente caem. E no lugar das flores, só restam galhos secos e espinhos. É como se uma parte de sua identidade tivesse ido embora com as flores. Mas nessa hora tão escura, ele encontra apoio em seu melhor amigo, que tem uma ideia inspiradora para que Davi volte a sorrir. 

 

Mãos (Companhia das Letrinhas, 2024), de Kiusam de Oliveira e Natália Gregorini

Mãos

Quando Orion, um menino doce e inteligente, é surpreendido com comentários maldosos sobre um trabalho que vai apresentar na escola, ele felizmente encontra mãos que o acolhem. Com sensibilidade, vemos como o carinho pode ser transmitido pelas mãos que afagam, protegem, sustentam. 


Talvez você consiga (Pequena Zahar, 2023) de Imogen Foxell e Anna Cunha com tradução de Leo Cunha

Talvez você consiga

Frente a tantos desafios, às vezes nos sentimos incapazes, insuficientes e insignificantes. Mas a protagonista deste livro encontrou o caminho para acreditar em si mesma. Ela queria mudar o mundo, mesmo sendo “apenas” uma menina. Frente à aridez e à tempestade, ela se manteve firme. Ainda bem que ela acreditou na vozinha que soprava em seu ouvido: “Talvez você consiga”.

 

Lá e aqui (Pequena Zahar, 2015), de Carolina Moreyra e Odilon Moraes

Lá e aqui

Havia uma casa com um pai, uma mãe e um filho. Mas um dia, uma chuva forte começou a cair e inundou tudo. Os olhos da mãe se encheram d’água. E depois disso, a casa virou duas: uma da mãe e outra do pai. Mas nem as separações mais duras são capazes de quebrar os laços que unem uma família.

 

Nosso lago (Pequena Zahar, 2026), de Angie Kang com tradução de Fabrício Valério

O luto parece ser uma travessia que não tem fim. Quando a dor parece finalmente ter se acomodado, um som, um gosto, uma memória podem fazer emergir as saudades de quem já partiu. Agudas. Pulsantes. Paralisantes. Este livro começa exatamente assim: um menino, na beira do lago porque há algo que detém seu mergulho. No começo, é difícil entender o que o impede. Mas depois que ele finalmente cai na água, pode ser difícil segurar a emoção. Mesmo após a morte, a esperança do encontro segue viva. 

 

(Texto: Naíma Saleh)

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