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/ À vistaNova edição de um dos livros mais originais de Elvira Vigna, com posfácio de Carola Saavedra. Na noite de seu aniversário de oitenta anos, Bebê Martê é morto, asfixiado com um travesseiro. A festa vira um enterro, mas a família respira aliviada.
Dino é Bernardino Bertolli Martezzi nos documentos, Dino para os familiares e Bebê Martê para lá da ponte. Adora torresmo com cachaça, como atesta seu último pedido. Os filhos se reúnem sem entusiasmo numa festa que mais parece um funeral. Querem celebrá-lo ou enterrá-lo? Onde se meteu o velho que nem ficou para comer o bolo do próprio aniversário? Será que vai cumprir a promessa de morrer depois da festa? Enquanto nos fazemos essas perguntas diante dos fatos narrados -- ou inventados? --, um fio subterrâneo vai percorrendo este romance em que não são os bons sentimentos que movem as personagens e onde todos, inclusive a narradora, têm algo inconfessável a esconder.
O assassinato de Bebê Martê não é um romance linear, cristalino, com heróis e vilões, causas e efeitos perfeitamente identificados. Ele avança em círculos, como se a cada momento precisasse voltar ao "local do crime" para esmiuçar detalhes. Mas aos poucos percebe-se que certas coisas não ditas e determinados sentimentos não explicitados estão por trás dos acontecimentos desta história duplamente filtrada, refratada por olhos cuja maior preocupação não é, certamente, a verdade, mas suas versões. O efeito e a máscara, obtidos com maestria.
"[...] se num primeiro momento O assassinato de Bebê Martê parece seguir os preceitos do romance policial, crime, pistas, o objetivo de se desvendar o crime, logo nos damos conta de que esse é mais um dos muitos espelhamentos do livro, pois ele se mantém, mesmo após a última página, em possibilidades que nunca se fecham ou se abrem por completo. [...] Afinal, como desvendar um crime com narradores não confiáveist E teria havido mesmo um crime " - Carola Saavedra