R$ 109,90
/ À vistaNesse estudo sobre a mortalidade e a força duradoura da beleza e da criação artística, dúzias de escritores, pintores, músicos e esportistas notáveis fazem companhia aos relatos pessoais do autor em uma narrativa cujo fio condutor é a experiência do fim.
Em janeiro de 2019, após assistir a uma coletiva de imprensa em que o tenista Andy Murray anunciava que iria abandonar as quadras, Geoff Dyer decidiu escrever um livro sobre "as coisas chegando ao fim, as últimas obras dos artistas, o tempo se acabando". Dyer entrava na sexta década de vida. As mudanças provocadas pela idade em seu corpo e nas suas capacidades como escritor logo se veriam entrelaçadas com mudanças globais, entre elas a pandemia de covid-19, que dariam ao assunto dos términos um novo alcance e gravidade.
"Desistir assim exige, na verdade, uma autodisciplina normalmente associada à persistência, uma perseverança em continuar se arrastando num livro que a gente está lendo sem prazer", escreve Dyer a certa altura. A passagem se refere às dores no flexor do quadril que resultaram da sua insistência em seguir jogando tênis, mas, na arquitetura engenhosa de Os últimos dias de Roger Federer, tudo está relacionado a todo o resto. Saber quando e como encerrar uma paixão ou uma carreira requer dedicação, e não há mapas nem garantias.
Seja comentando as reescrituras intermináveis das letras de Bob Dylan, a indistinção entre as pinturas prontas e inacabadas de J.M.W. Turner, o "fim de linha" na obra tardia de John Coltrane ou o "fim do reinado da beleza" tenística representado pela aposentadoria de Roger Federer, Dyer nos convida a perceber o novelo de criação e destruição que insufla vidas dedicadas a uma arte. Dyer soma às histórias de figuras célebres uma profusão de anedotas pessoais, sempre cheias de uma verdade existencial imediatamente reconhecível. Reflexões sobra a perda gradual da capacidade de romances difíceis, planos meticulosos para roubar xampu do banheiro de hotéis, excursões ao festival Burning Man, entre outros relatos irreverentes, iluminam esse ensaio memorável sobre a beleza, a transitoriedade e a finitude.