Brincar sozinho também pode ser bom
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Sobrevivendo no inferno, dos Racionais MC’s, reúne as letras de um dos discos mais importantes da história de nossa música popular — contundente como sempre e atual como nunca.
Os Racionais não precisam de chancela da universidade ou do mercado editorial: conquistaram seu reconhecimento por seus próprios meios. Mas a inclusão de seu disco de 1997 na bibliografia obrigatória do vestibular da Unicamp é um dos indícios de que, ainda que tardiamente, as instituições mais tradicionais estão se abrindo para o reconhecimento do rap como produção cultural da mais alta relevância. Em nível internacional, vale lembrar que, neste ano, o rapper Kendrick Lamar foi o primeiro artista pop a receber o prestigioso prêmio Pulitzer, por seu disco Damn.
O livro Sobrevivendo no inferno atende aos desejos dos milhões de fãs do grupo e também pelos vestibulandos. E pode ser ainda um convite a leitores e ouvintes mais “tradicionais”, que têm curiosidade pelos Racionais mas resistem aos desafios estéticos colocados pelo rap.
O trabalho minucioso de estabelecimento de texto responde a inúmeras questões, a começar pela versificação e divisão de estrofes. Igualmente determinante foi a opção por indicar a mudança de voz narrativa seguindo a forma da dramaturgia e registrar os acontecimentos sonoros que participam de maneira decisiva da linguagem poética. O resultado permite um contato totalmente original com a obra.
O texto de apresentação da edição é de Acauam Silvério de Oliveira, um jovem e brilhante professor de literatura brasileira, doutor pela USP e hoje docente na Universidade de Pernambuco. Escreve Acauam: “O impacto da produção dos Racionais consiste em sua extraordinária capacidade de formalização do novo tipo de voz coletiva que emergia: uma fala da periferia para a periferia, que alteraria de modo radical o cenário cultural do país”, ele afirma na introdução.
A identidade visual foi também objeto de muito cuidado: revisitamos a capa do disco e criamos um projeto especial de miolo, recheado de fotos clássicas e inéditas feitas por Klaus Mitteldorf. O acabamento com a lateral pintada de dourado é o toque final.
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