Brincar sozinho também pode ser bom
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"Entre Nuvens" / André Neves (texto e ilustrações)[/caption]
Além de mapear iniciativas na área de infância e manifestações da Cultura da Infância, Friedmann tem se dedicado a formar profissionais capazes de escutar verdadeiramente as múltiplas linguagens das crianças. "Quando falamos em 'escutar' crianças, estamos propondo que o adulto se conecte com todas as formas de expressão que elas têm, com suas falas não-verbais espontâneas", explica.
Não por acaso, idealizou e coordena a pós-graduação A vez e a voz das crianças, que oferece n'A Casa Tombada. Autora de diversos livros, entre os quais Quem está na escuta?, Linguagens e Culturas Infantis e A arte de brincar, ela concedeu, por e-mail, a entrevista abaixo. Friedmann passa a colaborar com o Blog da Brinque, publicando textos reflexivos e analíticos sobre infância, brincar e as relações entre a cultura infantil e outras culturas.
Blog da Brinque: Como é que se escuta uma criança?
Adriana Friedmann: Tem sido usada uma nomenclatura para esta temática que, claramente, precisa de esclarecimentos quando de crianças se trata. Quando falamos em 'escutar' crianças, estamos propondo que o adulto se conecte com todas as formas de expressão que elas têm, com suas falas não-verbais espontâneas. Escutar significa estar atento para estas linguagens simbólicas: a linguagem do corpo, dos gestos, do movimento; as expressões plásticas e musicais; as brincadeiras; e tantas outras 'micro' manifestações. Claro que as crianças que já dominam a linguagem falada podem se manifestar através desta nas suas emoções e pensamentos. Porém, quando fazemos perguntas às crianças, muitas vezes elas - sabiamente - respondem o que o adulto quer ouvir. A escuta presente, conectada, respeitosa e não invasiva do adulto é realmente significativa, pois as crianças estão sendo crianças - na sua mais autêntica manifestação - e, mesmo sem terem consciência, elas estão se comunicando e expressando quem são.
BB: Durante muito tempo, se acreditou que as crianças não tinham o que dizer, porque "ainda não sabiam nada, nem de si mesmas". Essa concepção felizmente vem sendo contradita por cada vez mais especialistas. Por que se acreditava nisso?
Friedmann: A questão não é propriamente que 'não tinham o que dizer': crianças sempre se expressaram e tiveram seus mundos e sua própria sabedoria. A questão é que na antiguidade se considerava que as crianças eram adultos em miniatura. Somente quando começam a surgir os estudos nas áreas de medicina e psicologia do desenvolvimento é que começa a se ter a compreensão de que as crianças têm uma forma muito particular de desenvolvimento e, a partir desses estudos, foram se estabelecendo padrões e definidos estágios de desenvolvimento.
BB: As crianças têm uma percepção mais holística, sensível, artística, física e menos racional do que a dos adultos. Nós, em contrapartida, crescemos aprendendo a racionalizar tudo. É preciso que reaprendamos essas outras formas de sentir e pensar para ouvir os pequenos?
Friedmann: É importante compreender que as crianças levam um tempo de amadurecimento do cérebro - e trata-se de um processo - para chegar no estágio do pensamento racional. Nos primeiros anos, realmente, a criança apreende o mundo ao seu redor através dos seus sentidos, experienciando, sentindo e manifestando-se a partir da sua sensibilidade e sensações. Mas o aspecto racional já está em processo de desenvolvimento. Quando a criança começa a ser escolarizada, as instituições escolares tendem a fragmentar essas várias formas de expressão e aprendizagem e a ir deixando de lado - ou dando menos importância - ao conhecimento que acontece através do sensível, da criatividade, das expressões artísticas, corporais ou lúdicas; em detrimento do lugar que o desenvolvimento cognitivo passa a ocupar. O importante é conseguir se chegar em um equilíbrio e adequar os estímulos conforme capacidades e necessidades de cada faixa etária e de cada grupo e cultura.
Para o adulto se conectar então com as crianças, sem duvida, ele precisa reconhecer e resgatar seus próprios canais de sensibilidade e expressões não verbais.
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