Brincar sozinho também pode ser bom
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"Pedro e Tina" / Stephen Michael King (texto e ilustrações)[/caption]
Quando falamos no brincar, associamos este ato às crianças e às infâncias. Quando pensamos no brincar, nos remetemos à nossa própria infância. Quando defendemos o brincar, cada um evoca as crianças com quem convive. Quando sentimos o brincar ou relembramos o que se sentíamos ao brincar, o corpo e a alma relembram o que é SER CRIANÇA.
O brincar é um fenômeno presente no universo infantil. De que crianças estamos falando? Não podemos mais pensar nem almejar que exista ‘a criança’, como um ideal a ser atingido, mas pensar sim ‘nas crianças’ e suas diversas realidades. As crianças formam-se a partir da sua herança genética; da educação familiar, formal e comunitária que recebem; da influência do contexto no qual crescem; e dos vínculos que estabelecem com as pessoas mais próximas, sobretudo nos primeiros anos de vida. Assim, a diversidade de crianças, realidades e infâncias, sobretudo olhando para as diferentes regiões, situações socioeconômicas e contextos do nosso país, constituem uma variedade impossível de ser classificada.
"Manu e Mila" / André Neves (texto e ilustração)[/caption]
As crianças de hoje têm um repertório de conhecimentos, de estímulos, de criatividades que as levam a mesclar, nas suas brincadeiras, no seu jeito de brincar e de se comportar, todos esses elementos, assim como os seus conteúdos e potenciais individuais.
Mas, ao mesmo tempo, as crianças de hoje são pressionadas pela sociedade, são hipnotizadas pela mídia e o mercado, são muitas vezes privadas de viverem suas infâncias plenamente. As crianças de hoje são vítimas de uma realidade que, em grande parte as isola do contato com a natureza, do contato com os pais ou cuidadores. As crianças de hoje carecem de ritmos, de tempos e de espaços para brincarem livremente. As crianças de hoje não têm tido oportunidades para serem crianças!
Falar em ‘desenvolvimento integral saudável’ é dizer que as crianças, já desde o útero materno, passam por uma série de etapas em que seu corpo, suas emoções, seu raciocínio, sua capacidade de se vincular e comunicar-se com outros, suas habilidades e seus valores, passam por etapas lineares - com avanços e retrocessos - e por processos profundos de desenvolvimento.
As crianças, vão sendo mais ou menos estimuladas, conforme os cuidadores e os contextos em que crescem.
O brincar também é uma linguagem, uma das primeiras linguagens da natureza do ser humano.
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"É assim que eu sou" / Pierre Winters (texto) e Eline van Lindenhuizen (ilustrações)[/caption]
Em cada brincadeira há uma narrativa, um ‘texto’ sendo ‘escrito’ por cada criança: quando elas brincam de faz de conta, imitam, representam, se movimentam, desenham, dançam, correm, pulam, jogam com jogos de tabuleiro e participam de brincadeiras e esportes coletivos, quando tocam instrumentos, cantam, criam histórias ou recontam contos – todas linguagens lúdicas – as crianças, sem consciência, falam de si, das suas realidades, do que estão vivendo, de como estão vendo o mundo; das suas angústias, alegrias, medos, potenciais; dos seus interesses, do que sabem, do que precisam; falam desde o lugar das suas emoções.
"Duda adora pular" / Stephen Michael King (texto e ilustrações)[/caption]
A segurança é fundamental, mas não pode tolher o movimento lúdico das crianças. Esses respiros são essenciais para cada criança poder ser quem ela é.
Se há uma intervenção que é necessária por parte dos educadores e cuidadores é a de criar oportunidades para as crianças brincarem: se dar ao trabalho de escolher atividades, espaços, objetos e/ou brinquedos adequados para cada idade, para cada situação, para cada comportamento.

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