Um ano sem celular nas escolas: o que mudou?
Conversamos com educadores para descobrir na prática como a lei nº 15.100/2025 mudou a realidade das escolas
Um dia, no entanto, Pipoca mudou. Deixou cair todas as maçãs que levava ao cavalo -e nem notou. No chá, com as colegas galinhas, nem disse oi. Na ordenha das vacas, não estava nada divertida! Pipoca não tirava os olhos de uma tela brilhante, recém-encontrada, com a qual se comunicava com novos amigos. Parecia vidrada naquele equipamento luminescente.
Alguma semelhança com alguém que você conhece?
O livro A Fabulosa Máquina de Amigos, que conta a história de Pipoca, citada aí em cima, é uma fábula lúdica -e lúcida- do premiado Nick Bland sore as relações humanas em tempos de celular. E sobre os perigos do manuseio indiscriminado das telas pelas crianças. Na história, os "novos amigos" virtuais de Pipoca eram nada menos que lobos famintos.
Estamos cada vez mais conectados. As crianças também. A pesquisa TIC Kids Online 2017, conduzida pelo Comitê Gestor da Internet, do Cetic.br, por exemplo, revela que 85% das crianças e adolescentes brasileiras acessou a internet recentemente. Número crescente. Em 2016, esse número era 82%. E, em 2014, menor ainda: 79%.
Isso não é necessariamente uma má notícia. De acordo com o pediatra do Hospital Sírio Libanês, Alberto Carame Helito, o uso de mídias digitais por crianças entre 18 e 24 meses pode trazer benefícios sociais e de aprendizado, quando na companhia de um adulto responsável, com uso por curtos períodos de tempo e com conteúdo adequado para a idade. "Não devemos permitir que crianças dessa idade usem dispositivos eletrônicos desacompanhadas", diz ele. Esse é o entendimento da Associação Americana de Pediatria (AAP).
Conversamos com educadores para descobrir na prática como a lei nº 15.100/2025 mudou a realidade das escolas
Antes de ser mediadora de leitura, Cristiane foi professora. Na sala de aula, ela começou a se envolver com a literatura e a mediação observando o que funcionava - e o que não funcionava - na formação de novos leitores
Cada coordenador pedagógico e professor tem seu próprio processo para desenhar o percurso das leituras. Mas há alguns fatores que precisam ser levados em conta