A adoção não dá conta de tudo. E é preciso falar sobre isso
Entre o sangue e o sobrenome, entre os pais escolhidos e a origem biológica, há perguntas, expectativas e o desejo de construir a própria identidade. Vamos falar sobre isso com as crianças?
"O livro secreto das princesas que soltam pum" / Ilan Brenman (texto) e Ionit Zilberman (ilustrações)[/caption]
Sustentadas nesse entendimento, que muitas vezes nem chega a ser um entendimento, mas sim um costume, uma prática, seguimos oferecendo, quase exclusivamente, livros de literatura às crianças e aos adolescentes em casa, na escola e na biblioteca. Mas, como a própria literatura e as artes, de maneira geral, nos revelam, o mundo é grande, complexo e nos abre muitos caminhos para sua compreensão, extrapolando o que nos toca direta e objetivamente.
Ainda incomum por aqui, para além dos chamados “livros paradidáticos” e especialmente entre as crianças, a leitura de textos não literários, identificada por muitos professores, bibliotecários, editores e pesquisadores como “informativos”, aos poucos se apresenta aos pequenos leitores brasileiros. Os temas são os mais diversos e despertam a curiosidade das crianças: dinossauros, o céu e as estrelas, vulcões, animais exóticos, florestas, breves biografias de cientistas e artistas, a vida e a morte em diferentes culturas, a sexualidade...
Por isso, precisamos fortalecer a produção, a publicação e a circulação dos livros não literários entre as crianças e estimular seu interesse pelo conhecimento em suas mais diversas abordagens. Em perspectivas distintas e interdependentes, literatura, artes e ciência devem fazer parte da educação das crianças, desde muito pequenas, contribuindo para a formação de uma visão ampliada e diversa do mundo. Infelizmente, o conhecimento científico ainda se restringe ao básico na educação brasileira, especialmente no que toca à rede pública de ensino.
São quase inexistentes os laboratórios, escassas as visitas a museus e a reservas ambientais e muito limitadas ao currículo a apresentação e a discussão de crenças e sistemas de pensamento que explicam o mundo e a vida. Podemos dizer que falta mesmo uma abordagem das ciências em seus princípios de indagação e investigação, anterior ao conhecimento específico que produzem.
Sabemos que, isoladamente, os livros e as leituras, assim como a escola, podem muito pouco. Mas esse pequeno poder traz em si uma também pequena promessa: pensar e compreender quem somos a partir das narrativas e do conhecimento produzido pela humanidade ao longo do tempo e do espaço.
Sem hierarquia definida, cabendo a cada pessoa a construção de sua trajetória, leituras literárias e científicas fazem parte de qualquer formação que tenha no horizonte o desenvolvimento humano e a ampliação de liberdades, desde a infância.
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Fabíola Farias é graduada em Letras, mestre e doutora em Ciência da Informação pela UFMG. É leitora-votante da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e, atualmente, realiza estágio de pós-doutorado na Universidade Federal do Oeste do Pará – Ufopa.
Entre o sangue e o sobrenome, entre os pais escolhidos e a origem biológica, há perguntas, expectativas e o desejo de construir a própria identidade. Vamos falar sobre isso com as crianças?
A jornalista Adriana Carranca, autora de Malala – A menina que queria ir para a escola, e a ilustradora Isabela Santos falam sobre adoção, família, vínculos e ancestralidade a partir do novo livro Onde Está a Mamãe?
É hora de começar a se preparar para a volta das aulas! Veja uma lista de livros que fazem sentir esse gostinho de escola: