Há muitos tipos de pais. E também há muitos tipos de filhos.
E cada relação pai-filho se estabelece a partir de contornos próprios, que se desenham pela fronteira entre o pai imaginado e o pai real. Tem pai que é figura de segurança, afeto, cuidado. Mas nem todo pai é. Tem pai que entra na brincadeira junto. Mas nem todo pai consegue. Tem pai que está sempre ao lado. Mas nem todo pai está.
A literatura traz histórias e personagens que ilustram bem as tantas formas que a paternidade assume – até aquelas marcadas pela falta ou que já se tornaram lembrança.
Para celebrar o Dia dos Pais, confira livros que retratam a complexidade e a beleza das relações entre pais e filhos:
Papai (Brinque-Book, 2026), de Christian Robinson

O que é um pai? Essa pergunta moveu o autor a buscar respostas na natureza. Página a página, pais e filhos de diferentes espécies vão ilustrando o que é um pai em suas presenças e ausências, em seus acertos e falhas. Entre pinguins, leões, porco-espinhos, tubarões e humanos, vamos percebendo que as relações reais passam longe do ideal e que podem ser bem mais diversas do que imaginamos.
Papai , ó! (Pequena Zahar, 2024), de Marcelo Tolentino

Às vezes entre pais e filhos um terceiro elemento se instala: as telas. Essa presença magnética pode distrair nossos olhos da realidade que nos cerca – inclusive de uma realidade muito particular: aquela que a imaginação nos permite inventar. Esse livro fala exatamente sobre isso. Enquanto pai e filho percorrem a cidade, o menino insiste para que o pai veja o mundo maravilhoso que ele enxerga: Papai, ó! Mas o pai não tira os olhos do celular… Quando ele finalmente presta atenção, dois, juntos, podem desfrutar de um universo incrível.
Eu falo como um rio (Pequena Zahar, 2021), de Jordan Scott e Sydney Smith, com tradução de Julia Bussius

As palavras hesitam em sair da boca do menino. As sílabas se enroscam. Os sons se emaranham. A fala não flui. É em um passeio à beira do rio com o pai que os dizeres reencontram seu fluxo. A partir do rio, uma metáfora sensível é construída. E o papel do pai, como aquele que sustenta e abre caminho, é retratado de forma poética.
Gorila (Pequena Zahar, 2015), de Anthony Browne

Hannah era uma menina que amava gorilas e que tinha um pai muito ocupado. Ele estava sempre trabalhando ou cansado demais para brincar com ela. De presente de aniversário, Hannah pediu ao pai um gorila de verdade… mas ganhou um pequeno Gorila de pelúcia e foi dormir decepcionada. Mas à noite, algo incrível acontece. E a menina vive o melhor dia de sua vida… ao lado de um gorila estranhamente parecido com seu pai!
Quando você sai (Pequena Zahar, 2024), de Gastón Hauviller com tradução de Ana Tavares

O você do livro se refere à mãe da criança. A partir do momento em que ela sai de casa, tudo se transforma e as emoções do pequeno se extravasam em uma realidade inventada e indomável. E quem está ali? O pai. É ele quem vai ajudando a criança a navegar pelos próprios sentimentos, com afeto, atenção e comida…
Meu pai é uma árvore (Pequena Zahar, 2025), de Jon Agee com tradução de Ana Tavares

A pequena Madalena faz um convite ao pai: “Vamos lá, papai! Vamos ser árvores!” E ele aceita. Se prostra imóvel no jardim, de pé, com os braços esticados como galhos… Mas a performance é tão convincente que logo uma corujinha pousa no braço dele. Depois vem um sabiá-laranjeira e começa a fazer no pai-árvore seu ninho em cima da cabeça do pai… e
Mais bichos vão aparecendo…
Eu grande, você pequenininho (Companhia das Letrinhas, 2015), de Lilli Arronge com tradução de Julia Bussius

Entre aumentativos e diminutivos, a relação entre pai e filho deste livro vem carregada de parceria, diversão e também momentos de estresse, como em toda família. Seja tomando sorvete na praia, seja fazendo compras no mercado, seja dividindo momentos de intimidade até no banheiro, o dia a dia junto fica muito melhor com pai e filho juntos.
Nosso lago (Pequena Zahar, 2026), de Angie Kang com tradução de Fabrício Valério

Em um dia de muito, muito calor, dois irmãos se preparam para mergulhar no lago. O mais velho salta na frente. Mas o mais novo hesita. Será que ele está com medo? O leitor não entende a dúvida, mas logo a resposta aparece . Os meninos costumavam mergulhar no lago com o pai. A saudade emerge junto com o mergulho e por um momento, a memória das lembranças vividas ali promove o reencontro.
(Texto: Naíma Saleh)
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