Na contagem regressiva para a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece de 4 a 13 de setembro, no Expo Pavilhões – Distrito Anhembi, na capital de São Paulo, nada mais justo do que conhecer os livros que vão amparar as discussões entre autores, editores e especialistas. Na programação da educação (que você confere aqui) temas como a emergência climática, feminismo, uso de tecnologias e redes sociais e afrofuturismo estarão em pauta. Conheça as obras dos nossos selos infantis que servirão como ponto de partida para as mesas:
Floresta de perguntas (Companhia das Letrinhas, 2026), de André Gravatá e Anna Cunha

“Você já correu por uma floresta ao raiar do canto das araras e se deu conta de que estava dentro de uma música?”
“Você já correu até uma figueira e subiu nela só para ver as nuvens passando ao longe?"
São as perguntas que vão guiando nossa travessia pela floresta - uma experiência poética vivida através dos olhos de uma onça, acompanhada de uma menino que caminha ao seu lado. Mas a paz e a quietude protegidas pelas copas das árvores são rompidas pelo fogo das queimadas, dando lugar à fumaça e aos caos. Üma forma sensível de introduzir os impactos causados pelas mudanças climáticas.
O Clube Verde e a liga dos solos (Escarlarte, 2025), com texto de Morgana Kretzmann e Paulo Scott e ilustrações de Pablito Aguiar

Esperança, Clá, Nim e Joia estão no sexto ano e são inseparáveis do sexto ano. Juntos, eles formam o Clube Verde, que se une à "Liga dos Solos" , um grupo de seres milenares, com poderes especiais, para combater um mal que ameaça a humanidade: alguém está produzindo um tipo de agrotóxico muito poderoso, que tem potencial para destruir todos os solos. Em paralelo à essa missão heróica, os personagens vão experimentando o primeiro amor, as vivências na escola e os laços de amizade que vão se fortalecendo.

Minhoquinha é uma comunidade imaginada em uma São Paulo de um futuro talvez não tão distante. Lá já não há mais supermercados e as hortas comunitárias é que garantem a subsistência. Mas um grande problema ameaça a sobrevivência. Depois que a tia de Cyber PANC, uma garota extrovertida e cheia de vida, morreu, a menina é quem assume a missão de fazer as plantas brotarem. Acontece que as duas compartilhavam do mesmo superpoder: o dedo verde que faz nascer vida em tudo o que toca. Mas por um motivo desconhecido, os poderes de Cyber PANC começam a falhar. Então, ela a parte com Só Zé, um garoto tímido, em uma missão para descobrir como "consertar" seu superpoder – e salvar a todos.

Nesta obra pensada para leitores a partir de nove anos, histórias baseadas em casos reais e informações apresentadas de forma acessível explicam como o uso de smartphones e redes sociais cria a ilusão de bem-estar e conexão. Mas que, na verdade, nos afasta da vida real. Dados e relatos de joven, adutltos e adolescentes nos aproximam do tema e explicam sem complicação como a atenção das pessoas é o que está em jogo – e à venda – sem que nos demos conta.

São três livros que fazem parte desta série voltada para os pré-adolescentes: O dia em que a minha vida mudou por causa de um chocolate comprado nas ilhas Maldivas (2017), O dia em que a minha vida mudou por causa de um pneu furado em Santa Rita do Passa Quatro (2018) e O dia em que a minha vida mudou por causa de um bilhete colado em um portão fechado na Vila Ipojuca (2026). Em cada um, acompanhamos um dia na vida de Mia e de seu amigo (agora namorado!) Bereba. A menina se depara com situações bem comuns na vida de quem ainda não é adolescente, mas também está deixando de ser criança, vivendo muitas primeiras vezes: de ir à pé para a escola sozinha a ser pega de surpresa com a descida da primeira menstruação.

As três lobas acrobatas eram irmãs. E eram também as grandes estrelas do circo. Havia fila para vê-las. Carinho do público e muitos aplausos. Mas, fora do picadeiro, a vida delas era bem diferente…Se no trapézio elas voavam livres pelos ares, a cela onde elas viviam estava longe de deixá-las à vontade. E pior: elas nem sabiam como haviam chegado até ali. Em uma narrativa sensível que aborda diferentes tipos de abuso, acompanhamos a jornada das três lobas que resgatam a si mesmas e reencontram sua própria natureza.
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A série conta com quatro livros: Como fazer amigos e enfrentar feiticeiros (2024), Como fazer amigos e enfrentar alienígenas (2024), Como fazer amigos e enfrentar fantasmas (2024) e Como fazer amigos e enfrentar vampiros (2025), que podem ser lidos separadamente. Em cada volume, as crianças Leo, Olívia, Arthur e Melissa, investigam mistérios e mostram que o poder da amizade pode ajudar a superar os medos mais tenebrosos - e a construir lindas memórias.
Oriki (Companhia das Letrinhas, 2026), de Henrique André e Rafael Calça

Esta história em quadrinhos se passa no futuro, no ano de 2978, onde a busca por reforçar os vínculos com o passado é a grande missão do presente. As personagens que nos guiam são Ayodele, uma cientista que precisa criar algo que restaure os laços com as histórias de seus antepassados, e sua neta, Anayo, que tenta entender por que a avó insiste em olhar para trás… É o primeiro livro do grupo que aborda o afrofuturismo, um movimento estético e político, que imagina futuros resgatando memórias ancestrais, construindo ficções e sonhando com novas tecnologias que podem dar contornos a outro tipo de amanhã.
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A mala vermelha (Companhia das Letrinhas, 2026), de Eva Uviedo

A casa era o lugar preferido da protagonista desta história inspirada nas lembranças pessoais da autora. Era lá que a menina guardava suas coisas mais preciosas. Mas um dia, ela é obrigada a ir embora e tudo o que pode levar deve caber em uma bolsa vermelha. Uma realidade imposta a muitas famílias vítimas de regimes autoritários.
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Velho sertão (Pequena Zahar, 2026), de Marcelo Tolentino e Fernanda Rios

Um menino percorre o sertão árido montado em seu burrico. No caminho, o sol judia e a sede aperta. Por isso, todo dia, quando o menino cruza com o senhorzinho que está sentado na porta de casa, repete o mesmo pedido: não teria ele um pouco d’água? Diante de sucessivas negativas, o menino desconfia… até que a mentira vem à tona. Entre a inocência e a autenticidade da infância, o menino responde ao senhorzinho com a liberdade – e a traqiinagem – que toda criança carrega.

De forma acessível, os leitores são apresentados a conceitos importantes que ajudam a construir a soberania sobre o próprio corpo e a confiança para aprender a colocar limites. E tudo isso a partir de situações comuns. Sabe quando alguém tenta beijar uma criança à força? Ou fazê-la sentar no colo de alguém? Entendendo o que são limites corporais e consentimento, fica mais fácil compreender que há situações que não são adequadas e que toda criança tem o direito de dizer ‘não’ quando se sentir desconfortável.
Nsamba (Companhia das Letrinhas, 2026), texto de Maitê Freitas e ilustrações de Carol Fernandes

No primeiro livro infantil de Maitê Freitas, que pesquisa sobre mulheres no samba, ela se apoia na tradição oral africana e em registros históricos para recontar as origens do samba em uma narrativa cheia de gingado com textos em português e quicongo. Tudo começa quando Nsamba, uma mulher sábia que adorava contar histórias e cantar seus versos, cria um novo jeito de mexer o corpo ao ritmo da música… adivinhe o que era!