No extremo sul do Brasil, na praia mais extensa do mundo, três marinheiros são responsáveis pela manutenção e segurança de um farol de navegação. Isolados do mundo por oitenta e cinco dias, cercados de natureza inóspita, enfrentam a culpa, o desejo e o peso do passado. Do autor vencedor dos prêmios Jabuti e Açorianos.
Neste romance preciso, magistral, três homens se isolam numa praia sem começo nem fim, com a tarefa de zelar pelo funcionamento de um farol de navegação. Durante quase três meses, vivem e trabalham em instalações simples ao redor do farol, cercados de areia por todos os lados. Mas o que os leva até lá não é necessariamente o dever, e sim o medo e a culpa, a penitência e a fuga.
Agostinho, o mais velho, tem problemas com a bebida e, ao se voluntariar para o farol, acredita estar purgando um ato sem perdão: alcoolizado e sem memória, foi acusado de algo abominável e não tem como se defender. Ariel, o mais novo, foge para tentar se encontrar: nunca tomou decisões por conta própria, foi sempre influenciado pela vontade dos outros, e agora, na solidão do farol e dedicado aos seus orixás, procura entender quem realmente é.
Já Skawinski está ali pela culpa e pelo desejo. Cresceu sem a mãe, com um pai ausente, e desde cedo ficou aos cuidados da meia-irmã mais velha, Vanda, com quem criou um laço afetivo perigoso. Jovem sem pouso nem futuro, teve de ser acolhido na casa dela e do marido. Mas o amor por Vanda e a impotência perante seu casamento o forçaram a partir.
Isolados no farol, são acossados pelo vento e pela areia, que se acumula, invade e encobre tudo. Os marinheiros, afundados em suas guerras pessoais, em breve serão tomados também pelo delírio.