Em uma Brasília marcada por secas, enchentes e queimadas, Catarina cresce tentando decifrar o mundo ao seu redor. Entre laços familiares frágeis, uma amizade perigosa e o tarô como linguagem possível, A linguagem dos desastres é um romance sobre vínculos, presságios e sobrevivência.
Nascida em meio a um blecaute, Catarina vem ao mundo sob o prenúncio do fim. Filha de uma artista plástica que tenta reencontrar a inspiração e de um bancário pragmático e
silencioso, ela cresce em meio a secas, enchentes e apagões que parecem ditar o ritmo da vida familiar. Desde cedo, carrega uma sensibilidade fora do comum -- ouve o que os outros não escutam, enxerga presságios nas pequenas coisas e acaba por buscar respostas em um velho baralho de tarô da mãe.
Em uma Brasília que alterna entre estiagens e tempestades, ela cresce como uma criança solitária em uma sociedade em que ter filhos beira o imoral. Quando Augusto, acompanhado apenas da mãe, muda-se para a casa ao lado, o destino dos dois se entrelaça. A amizade entre as crianças nasce da curiosidade e da solidão, mas logo se transforma em algo ambíguo: uma relação tão afetuosa quanto cruel, que atravessa a infância e a juventude.
Enquanto o mundo à sua volta se fragmenta, Catarina tenta compreender a realidade e a si mesma. No simbolismo das cartas de tarô ela busca sentido para o caos, como se nelas houvesse uma forma não de prever o futuro, mas de decifrar as ruínas.
Em A linguagem dos desastres, Fabiane Guimarães conduz o leitor por uma história de afeto e de sobrevivência, em que o íntimo e o apocalíptico se confundem. Um romance avassalador sobre o peso de herdar um planeta em colapso e a tentativa de encontrar beleza entre as cinzas.