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/ À vistaDois dos maiores intelectuais e autores brasileiros entrelaçam memória, história e reflexão para examinar o processo de formação -- e deformação -- de Belém e Manaus. Um panorama histórico-cultural extraordinário das metrópoles da Amazônia brasileira.
"Cada escritor elege seu paraíso, sabendo que se trata de um paraíso perdido", anota, de saída, Milton Hatoum em seu texto sobre a cidade de Manaus. É sob o signo dessa perda -- íntima, histórica e coletiva -- que se constrói Crônica de duas cidades. Reunindo dois ensaios que, em surdina, dialogam entre si, o livro propõe uma leitura profunda e crítica de Belém e Manaus, cidades que nasceram entre rio e floresta e que, ao longo do século XX, foram progressivamente afastadas de seu entorno natural.
Benedito Nunes revisita Belém como quem recompõe uma cidade-história: do período colonial às ilusões da belle époque, do fausto da borracha à destruição de seus ícones urbanos, traçando uma reflexão aguda sobre memória, cultura e esquecimento. Milton Hatoum, por sua vez, percorre Manaus a partir da experiência pessoal e dos voos da imaginação e da memória, revelando uma cidade marcada pela violência contra os povos indígenas, pelo delírio modernizador e pela exclusão social. Sem nostalgia fácil, mas movidos por um forte vínculo afetivo por estes espaços, os autores interrogam o sentido do progresso e o preço pago por ele. O resultado é uma obra luminosa e inquietante sobre urbanização, identidade e perda. O que restou das ruínas de um passado tão recente, apagado abruptamente, brutalmente? Como podemos sonhar estas cidades para o futuro?